STJ: Cuidadora não consegue reconhecimento de união estável com paciente incapaz

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não reconheceu a união estável alegada pela cuidadora de um paciente portador de esquizofrenia grave. Ela dizia manter uma relação marital com o rapaz, herdeiro de um patrimônio de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

A cuidadora foi contratada para prestar cuidados à família do rapaz e, conforme afirmou na ação de reconhecimento de união estável, com o decorrer do tempo, o convívio transformou-se em amor.

A sentença julgou a ação improcedente, mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) reformou a decisão com base no depoimento do psiquiatra que tratou o rapaz por 12 anos. Segundo o TJRS, o médico foi taxativo ao afirmar que o paciente não era capaz de gerir sua vida financeira, porém tinha discernimento para entender as relações conjugais e para firmar relacionamentos afetivos.

De acordo com o ministro Marco Aurélio Bellizze, relator do recurso no STJ, ficou comprovado que o rapaz, com idade mental comparável à de uma criança de sete anos, possui limitações de juízo crítico e responsabilidade civil e não tem capacidade de tomar decisões de cunho patrimonial ou assumir responsabilidades financeiras.

Comunhão universal

Os autos demonstram que esses problemas foram diagnosticados anos antes do início do convívio com a cuidadora e eram de amplo conhecimento. Ainda conforme os autos, somente após a morte dos pais do rapaz é que a cuidadora quis obter o reconhecimento judicial da alegada relação afetiva.

Além de iniciar os trâmites do casamento, a cuidadora firmou pacto antenupcial estabelecendo regime de comunhão universal de bens, embora, segundo o ministro Bellizze, tivesse plena ciência de que o rapaz “não possuía qualquer compreensão quanto ao ato que fora induzido a praticar”. Após saber da ação de interdição movida pela tia do rapaz, a cuidadora desistiu do casamento, optando por tentar o reconhecimento da união estável.

“Encontrando-se o indivíduo absolutamente inabilitado para compreender e discernir os atos da vida civil, também estará, necessariamente, para vivenciar e entender, em toda a sua extensão, uma relação marital, cujo propósito de constituir família, por tal razão, não pode ser manifestado de modo voluntário e consciente”, disse o relator.

O ministro explicou que essa compreensão a respeito da união estável está de acordo com o tratamento previsto para o casamento no Código Civil de 2002. Esclareceu ainda que as normas legais relativas à capacidade civil para contrair núpcias são aplicáveis à união estável na íntegra, até mesmo porque a Constituição Federal alçou a união estável à condição de entidade familiar.

Fonte: STJ | 25/02/2015.

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TJ/SP: INTEGRANTES DO TJ DA BAHIA VISITAM CARTÓRIO DO FUTURO

O juiz assessor da Presidência do Tribunal de Justiça da Bahia, Anderson de Souza Bastos, e o diretor geral da Corte, Franco Bahia, estiveram ontem (23) no Fórum João Mendes Júnior, na capital paulista, para conhecer o funcionamento da Unidade de Processamento Judicial (UPJ), conhecida como o Cartório do Futuro, inaugurada em novembro do ano passado pelo TJSP. Eles foram recebidos pelo juiz assessor da Presidência Fábio Basso; pelo juiz assessor da Corregedoria Durval Augusto Rezende Filho; pelo juiz corregedor permanente da UPJ, Marcelo do Amaral Perino; e pelo diretor do cartório, Roberto Cássio de Almeida.

        A UPJ atende da 41ª a 45ª varas cíveis centrais de São Paulo. Seu modelo, além de unificar os cartórios dessas unidades judiciais, adota uma nova divisão das tarefas e melhor distribuição dos recursos humanos e do espaço físico.  A unidade está dividida em quatro seções: Processamento, Movimentação (controle de prazos), Atendimento ao Público e Administrativa, essa ligada diretamente ao juiz corregedor permanente. Além do cartório, há uma estrutura anexa para atendimento ao público. Cada juiz conta com equipe de quatro servidores e dois estagiários em seu gabinete. As salas de audiências foram reduzidas a quatro e a utilização é compartilhada, com uso de agenda eletrônica que permite conciliação de pautas.

Anderson Bastos e Franco Bahia também visitaram as secretarias de Planejamento e Gestão (Seplan) e Judiciária (SJ) do TJSP para a troca de experiências. Conversaram, ainda, com o juiz assessor da Corregedoria Jayme Garcia dos Santos Júnior sobre a implantação das audiências de custódia, iniciadas hoje no Fórum Criminal da Barra Funda, e com o juiz Márcio Laranjo, titular da 21ª Vara Central, considerada cartório modelo.

Fonte: TJ – SP | 24/02/2015.

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TJ/PR: Informações do Conselho da Magistratura da Justiça Paranaense

2014.0462829-0/000

5/2015

I – A Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná – ANOREG/ PR solicitou autorização para lavratura de escrituras públicas sem apresentação de certidão de feitos ajuizados durante o período de recesso forense e definição de critérios dos plantões dos distribuidores cíveis para expedições de certidões de feitos ajuizados perante a Justiça do Estado.

O pedido de dispensa das certidões da Justiça do Trabalho para a lavratura de escrituras públicas foi indeferido em 16.12.14 (fls. 03/15), com comunicação dessa decisão a requerente, aos doutos Juízes Auxiliares da Corregedoria e Assessores Correcionais (fls. 16/19 e 23).

Em resposta a essa comunicação, o Tabelião Substituto do Serviço Distrital de Itaipulândia e a Tabeliã Designada do 9º Tabelionato de Notas de Curitiba solicitam, via mensageiro, maiores esclarecimentos desta Corregedoria em razão da edição da Medida Provisória nº 656 que alterou a redação do artigo 1º, §2º, da Lei nº 7.433/85 (fls. 20/21).

II – O artigo 1º, §2º, da Lei nº 7.433, de 19 de dezembro de 1985, previu, em sua redação original, que na lavratura de atos notariais, inclusive os relativos a imóveis, além dos documentos de identificação das partes, somente serão apresentados os documentos expressamente previstos naquela Lei e que “o Tabelião consignará no ato notarial, a apresentação de do documento comprobatório do pagamento do Imposto de Transmissão inter vivos, as certidões fiscais, feitos ajuizados, e ônus reais, ficando dispensada sua transcrição”.

O artigo 15 da Medida Provisória nº 656, publicada no Diário Oficial da União de 08 de outubro de 2014, alterou a redação daquele parágrafo segundo, nos seguintes termos: “§2º O Tabelião consignará no ato notarial a apresentação do documentocomprobatório do pagamento do Imposto de Transmissão inter vivos, as certidões fiscais e as certidões de propriedade e de ônus reais, ficando dispensada sua transcrição”.

Portanto, a partir da vigência daquela Medida Provisória, tornou-se desnecessária a consignação no ato notarial de feitos ajuizados e, por consequência, a exigibilidade de apresentação de certidão sobre esses feitos para fins de lavratura daqueles atos.

A Medida Provisória nº 656 foi convertida na Lei nº 13.097, de 20 de janeiro de 2015, com a manutenção, em seu artigo 59, da nova redação do §2º da Lei nº 7.433/85: “Art. 59. A Lei nº 7.433, de 18 de dezembro de 1985, passa a vigorar com as seguintes alterações: (Vigência)

“Art. 1º

§ 2º O Tabelião consignará no ato notarial a apresentação do documento comprobatório do pagamento do Imposto de Transmissão inter vivos, as certidões fiscais e as certidões de propriedade e de ônus reais, ficando dispensada sua transcrição.

” (NR)

Ocorre que o artigo 168, inciso II, da Lei nº 13.097/2015 estabelece que a vigência do artigo 59 se dará após 30 (trinta) dias da publicação dessa Lei, ou seja, 18.02.2015, pois “A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral”,segundo preceitua o artigo 8º, §1º, da Lei Complementar nº 95/98.

Por se tratar de conversão de medida provisória em lei, com alteração do texto original, esta MP manteve-se integralmente em vigor até a sanção do projeto, que se deu em 19 de janeiro de 2015, nos termos do artigo 62, § 12º, da Constituição Federal.

Desta forma, para a lavratura de atos notariais, a apresentação de certidões de feitos ajuizados não era exigível no período de 08 de outubro de 2014 a 19 de janeiro de 2015, subsistindo essa exigência de 20 de janeiro de 2015 até 17 de fevereiro do corrente, dia anterior a vigência do artigo 59 da Lei nº 13.097/2015 que alterou o §2º, do artigo 1º, da Lei nº 7.433, de 19 de dezembro de 1985.

Por consequência, resta superada a questão apresentada pela ANOREG neste expediente, de dispensa da menção de feitos ajuizados para expedição de ato notarial em razão da impossibilidade de obtenção das respectivas certidões em razão do recesso forense.

III – Do exposto, retifico a parte final do item “1” da decisão de fls. 03/15 para que conste que na lavratura de atos notariais a apresentação de certidões de feitos ajuizados não era exigível no período de 08 de outubro de 2014 a 19 de janeiro de 2015, subsistindo essa exigência de 20 de janeiro de 2015 até 17 de fevereiro do corrente.

IV – Eventuais consignações de certidão de feitos ajuizados nos atos notariais de apresentação lavrados no período de 08 de outubro de 2014 a 19 de janeiro de 2015 não têm o condão de gerar nulidade desses atos;

V – Comunique-se os consulentes, à Associação dos Notários e Registradores do Estado do Paraná – ANOREG e os agentes delegados do foro extrajudicial;

VI – Encaminhe-se, via mensageiro, cópia desta decisão aos doutos Juízes Auxiliares desta Corregedoria e aos Assessores Correcionais.

VII – Publique-se.

Curitiba, 10 de fevereiro de 2015.

Des. MARQUES CURY – Corregedor da Justiça.

Fonte: Grupo Serac – Informações TJ – PR- Publicado no Boletim Eletrônico INR nº 6827 | 25/2/2015.

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