Direito Sucessório: os pais podem doar parcela maior da herança para um dos filhos?


O Direito Sucessório representa a área do Direito Civil que regulamenta a transferência de patrimônio do morto para os herdeiros. Um dos campos mais discutidos do tema se baseia na possibilidade ou não de se destinar maior parcela da herança a um dos filhos e o que a lei determina a respeito disso. De fato, a sucessão hereditária é um tema complexo e com muitas minúcias, razão pela qual não são raras as dúvidas, mesmo entre os operadores do Direito.

Deste modo, vamos supor que haja uma família com quatro irmãos, cujo pai é falecido e a mãe, que cuidava dos negócios, precisou se afastar da rotina de trabalho por motivos de saúde. Apenas um dos filhos continuou cuidando da empresa da família, enquanto os outros três mantiveram suas profissões. Caso fosse de sua vontade, a mãe poderia doar uma maior parte da herança para este filho que se dedicou ao interesse familiar?

De acordo com a diretora nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), Ana Luiza Maia Nevares, o procedimento poderia ser realizado. “Sim. Na verdade, não é preciso haver um motivo específico para um pai ou uma mãe destinar uma parte maior da herança para um dos filhos. Ele pode assim fazer desde que essa parte maior não ultrapasse cinquenta por cento dos bens da herança, ou seja, a parte disponível dos bens”, esclarece.

A advogada lembra ainda que a doação de um pai para um filho pode se dar de duas formas, sendo uma a antecipação de legítima, hipótese em que o filho deverá trazer a doação à colação por ocasião do óbito do pai, para igualar o seu quinhão com aquele dos outros descendentes, ou poderá ser uma doação dispensada da colação e, neste caso, deverá ser uma doação da parte disponível dos bens do doador, ou seja, limitada a cinquenta por cento de seus bens.

“Nesta última hipótese, o filho donatário será beneficiado com maior parte do patrimônio do doador, razão pela qual há um limite para tal doação, a saber, a parte disponível dos bens do doador, ou seja, 50% de seus bens. A questão é saber quando se apura esse limite. A lei é clara ao dispor que dito limite é apurado por ocasião da doação. No entanto, como é no momento do óbito que se verifica a herança e, assim, as legítimas dos herdeiros necessários, há alguns debates sobre a questão, uma vez que o pai pode ter doado em vida parte de seu patrimônio para um dos filhos, dentro do limite de 50%, dispensando-o da colação, e ter empobrecido posteriormente, vindo a ter poucos recursos para dividir entre os demais filhos não contemplados com a doação por ocasião de seu falecimento. De fato, esta é uma situação que pode acontecer”, ressalta.

Do ponto de vista de Ana Luiza Maia Nevares, o sistema brasileiro privilegiou a segurança do ato jurídico, estabelecendo como parâmetro para aferição do limite da validade da doação o momento em que esta é realizada, não importando se após o ato o doador enriqueceu ou empobreceu.

Fonte: IBDFAM | 16/08/2017.

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TREINAMENTO CONTRA FRAUDE POR MEIO DE CENTRAL NOTARIAL REÚNE DELEGADOS DE POLÍCIA NO CNB/SP


No dia 15 de agosto, o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP) reuniu em seu auditório 50 delegados de polícia para o “Treinamento sobre Censec e Selos de Segurança”. O evento teve como objetivo instruir os agentes da lei acerca do combate às fraudes por meio do acesso aos atos notariais disponibilizados pela Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (Censec), de forma a contribuir para a manutenção da segurança pública.

O presidente do CNB/SP e ex-delegado de polícia, Andrey Guimarães Duarte, abriu a exposição apresentando a importância da atividade notarial para o combate ao crime, colaborando diariamente com a pacificação social e com a prevenção aos litígios. “Os tabeliães de notas são profissionais do Direito, dotados de fé pública, que recebem do Estado a delegação para o exercício da atividade notarial. Os serviços notariais destinam-se a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos”, afirmou.

Ele ainda explicou que muito embora a central notarial seja gerida pelo CNB/SP, ela funciona em âmbito nacional. “Todos os atos notariais realizados no Brasil são remitidos para a nossa central – hoje temos 80% dos estados integrados”, esclareceu. Dessa forma, documentos lavrados a milhares de quilômetros podem ser acessados para diversos tipos de investigações. “Os delegados tem a possibilidade de cruzar dados como escrituras de compra e venda, de doação, procuração – instrumento bastante usado para esconder ‘laranjas’, nomear proprietário – entre outros”.

O papel do notariado frente à desburocratização foi também destacado pelo presidente do CNB/SP. No dia 18 de julho, o Decreto 9.094/2017, publicado no Diário Oficial da União, determinou que o reconhecimento de firma de documentos a serem entregues em órgãos públicos federais só será necessário se houver dúvida quanto à autenticidade ou previsão legal das informações. Sobre isso, os cartórios foram questionados sobre o que fariam para se defender. “Exatamente nada! Os cartórios são a favor da desburocratização: 80% do nosso movimento de autenticação e de reconhecimento de firma é facultativo. É o locador que exige do locatário, não há nenhuma lei determinando isso”, argumentou Andrey Guimarães Duarte”.

Hoje, diversos atos praticados pelos notários caminham rumo à desburocratização: mais de 1,7 milhão de atos entre divórcios, inventários, separações e partilhas já foram lavrados em âmbito extrajudicial desde 2007, ano em que foi instituída a Lei n° 11.441. Isso equivale à quantidade de processos que foram retirados do Poder Judiciário, a um custo de R$ 2.300,00 cada. “Nós conseguimos realizar um divórcio em 15 minutos, um inventário em 10 dias, uma carta de sentença em 3 dias”, exemplificou.

Em seguida, o assessor jurídico do CNB/SP, Rafael Depieri, adentrou nos conceitos dos atos realizados em balcão como autenticação de documentos e reconhecimento de firma, além de explicar a segurança que envolve a utilização de selos personalizados e de papéis de segurança. Após detalhar a composição dos elementos de segurança de cada selo, instruiu: “é possível verificar o número do selo no Portal Extrajudicial do TJ/SP em “Consulta de Validade de Selo”. Alerta: ocorreram inúmeros roubos de selos esse ano. Por isso, é fundamental a consulta ao portal para verificar se o selo não se inclui entre os que foram objeto de furtos ou de roubos”.

A coordenadora operacional da Censec, Bruna Borges, mostrou o passo a passo de como realizar a navegação na plataforma, a fim de que os delegados encontrem facilmente o documento desejado em questão. Após exemplificar as buscas por meio de nomes homônimos em cada uma das centrais de informações da Censec – CEP, CESDI, RCTO e CNSIP –, ela ressaltou o poder do sistema no combate ao crime. “A Censec é uma ferramenta de suma importância para amparar inquéritos policiais desde o início das investigações. É um meio de averiguar crimes utilizando tecnologia, o que antes não era possível”, aclarou.

O titular da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Luiz Carlos do Carmo, esteve presente no evento e agradeceu a mobilização do CNB/SP para a rápida realização do evento para esclarecimento aos seus colegas. “A instituição precisa dessas informações e essa ferramenta é muito importante. Todos os colegas que estão aqui já tiveram aquela necessidade imediata de localizar uma certidão, saber se era falsa ou não, fazer uma consulta e isso tudo é muito difícil para a polícia”, declarou. “O Andrey tem uma visão sistêmica, pois já passou pela casa e compreendeu a demanda. Conversando com cada um, nós percebemos que essa ferramenta é imprescindível para a investigação”.

Clique aqui para acessar a Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (Censec).

Fonte: CNB/SP | 16/08/2017.

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