TJ/SP: Judiciário paulista participa do XII Encontro Nacional do Poder Judiciário no Paraná

Durante encontro, TJSP recebeu Selo Ouro.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), como coordenador da Justiça Estadual para o período de agosto de 2017 a agosto de 2019 e interlocutor entre os demais Estados no estabelecimento da proposta de metas do Judiciário em razão da Rede de Governança Colaborativa do Poder Judiciário, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (Portaria nº 138/13), participou ativamente do 12º Encontro Nacional do Poder Judiciário, realizado nos dias 3 e 4, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

O encontro reuniu representantes dos 90 tribunais brasileiros, totalizando mais de 500 pessoas presentes. De São Paulo participaram os desembargadores Manoel de Queiroz Pereira Calças (presidente) e sua esposa Maria Amélia Junqueira de Andrade Pereira Calças, Geraldo Francisco Pinheiro Franco (corregedor-geral da Justiça), Luís Francisco Aguilar Cortez (Comissão de Orçamento, Planejamento e Finanças), Carlos Vieira von Adamek (atual secretário-geral do CNJ), os juízes assessores da Presidência Leandro Galluzzi dos Santos, Maria Rita Rebello Pinho Dias, Paula Lopes Gomes, Ana Rita de Figueiredo Nery, Renato Hasegawa Lousano e Airton Pinheiro de Castro e a diretora da Diretoria de Planejamento Estratégico (Deplan), Carmem Giadans Corbillon. Também estavam presentes o presidente e o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE SP), desembargadores Carlos Eduardo Cauduro Padin e Waldir Sebastião de Nuevo Campos Júnior, a juíza Maria Silvia Gomes Sterman (Infância e Juventude do Foro Regional de Santo Amaro) e os magistrados paulistas que, no momento, atuam no Supremo Tribunal Federal Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, Richard Paulro Pae Kim e Márcio Antonio Boscaro.

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, ao abrir a 12ª edição do Encontro Nacional do Poder Judiciário, falou sobre a oportunidade de se discutir desafios e aperfeiçoar o Judiciário. “Estamos aqui reunidos, mais uma vez, não só para debater as metas para os próximos dois anos (2019-2020), mas também para discutir melhorias para o sistema de Justiça”. Também o corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins falou sobre a necessidade de se buscar uma Justiça cada vez mais célere. Segundo o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o magistrado paulista, Jayme Martins de Oliveira Neto, o encontro reuniu as principais autoridades dos tribunais e os melhores servidores nas áreas correspondentes. “É uma oportunidade da construção pelo diálogo e pelo consenso de um Judiciário melhor.”

A principal finalidade do encontro, sob a coordenação do CNJ, foi aprovar as Metas Nacionais do Judiciário e específicas de cada ramo da Justiça para 2019. Para o ministro Toffoli, é importante que o Poder Judiciário siga os três fundamentos que norteiam novas teorias em voga no século XXI: eficiência, transparência e responsabilização. Dias Toffolli falou ainda sobre o trabalho que tem sido realizado pelo CNJ para promover mais integração, sistematização e modernização do Judiciário. O esforço feito, segundo ele, no aperfeiçoamento da coleta de dados tem permitido a realização de diagnósticos, o estabelecimento de metas e o aperfeiçoamento dos sistemas de controle. “É desafiadora a missão de tornar efetiva a prestação jurisdicional de âmbito nacional, especialmente em um universo como o nosso, com aproximadamente 80 milhões de processos em tramitação e, ainda, em um país com tantas peculiaridades regionais e de extensa dimensão territorial.”

Ao encerrar o encontro, o presidente Dias Toffoli disse que a aprovação das metas e o compromisso das cortes no cumprimento dos objetivos estabelecidos mostram que o Judiciário nacional está ciente e conectado com os anseios da sociedade nessas áreas de atuação. “Nesses dois dias, tivemos a possibilidade de confirmar o quanto é importante o Poder Judiciário se mostrar unido. Não há Estado democrático de direito sem um Judiciário autônomo, independente e fortalecido”, concluiu.

Prêmios – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entregou o Selo Justiça em Números aos tribunais brasileiros, durante o XII Encontro Nacional do Poder Judiciário. O Selo é concedido pelo CNJ desde 2014 aos tribunais que mais investem na excelência da produção, gestão, organização e disseminação de suas informações administrativas e processuais. O TJSP recebeu o Selo Ouro. Além do requisito básico de encaminhamento adequado das informações, também foram avaliados o nível de informatização do tribunal, o uso de relatórios estatísticos para o planejamento estratégico e o cumprimento de resoluções do CNJ alinhadas à gestão da informação.

Superlotação carcerária – Ao colocar os óculos de realidade virtual, a pessoa é transportada para a cela superlotada de um presídio – 25 homens amontoados em um espaço de 3 metros por 3 metros –  e começa a compartilhar o drama daqueles presos. Durante dois minutos, é abordada por detentos que reclamam por atendimentos básicos, como uma informação sobre o seu processo ou remédio para um doente no canto da cela, e o ministro Dias Toffoli passou por essa experiência. A “realidade visceral”, normalmente utilizada em jogos eletrônicos, foi usada como instrumento de sensibilização dos participantes do evento como simulador da realidade prisional. A experiência foi criada pela Rede de Justiça Criminal, um grupo composto por oito organizações não governamentais brasileiras, entre elas, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), o Instituto Sou da Paz e o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC). Fundada em 2010, a Rede de Justiça Criminal tem por objetivo tornar o sistema de justiça criminal mais justo e atento aos direitos e garantias fundamentais.

Compromisso com as metas e produtividade – No segundo dia do encontro, o conselheiro e ministro do TST, Aloysio Correa da Veiga, falou sobre o compromisso da corte com a melhoria da prestação jurisdicional e o cumprimento das metas estabelecidas pelo CNJ. O uso de ferramentas como o gabinete eletrônico, o plenário virtual, o teletrabalho e a capacitação contínua dos servidores foram citadas pelo ministro como ações adotadas para o cumprimento desses objetivos. “Tivemos um considerável avanço. Hoje, o STJ está bem acima das suas metas para o ano de 2018”, afirmou o ministro Marco Aurélio Buzzi, que representou, na ocasião, o presidente do STJ, ministro João Otávio de Noronha, ausente devido a problema médico. No painel, foi apresentado um resumo dos indicadores de produtividade do STJ. Em termos de redução da quantidade total de processos que tramitam na corte, objetivo da Meta 1, o STJ conseguiu julgar um número de processos 20% maior que a quantidade de novas ações judiciais ingressadas na Corte.

Transparência e desafios – Presidente do STM, o ministro José Coelho Ferreira falou sobre a importância de o Poder Judiciário brasileiro perseguir a transparência, o estabelecimento de critérios e a busca por eficiência. Ao fazer um breve histórico da atuação do CNJ, o ministro destacou a relevância do Conselho na promoção de mudanças efetivas na Justiça brasileira. Após o painel Estratégia Nacional – Panorama dos Tribunais Superiores (Perspectivas de projetos e ações para o biênio 2019-2020), o conselheiro Fernando Mattos, que preside a Comissão de Gestão Estratégica, Estatística e Orçamento do CNJ, falou sobre as mudanças que serão feitas na concessão do Selo Justiça em Números. A partir do próximo ano, além de atender aos critérios já consolidados, os tribunais serão avaliados em três novos eixos: governança, produtividade e qualidade e transparência da informação. Para isso, a minuta do projeto de atualização do Selo será colocada em consulta pública para, só depois, o texto ser encaminhado à Presidência do CNJ para a elaboração de uma resolução.

Painéis – Uma inovação nessa edição do Encontro Nacional foi a realização de cinco painéis simultâneos sobre temas de interesse da administração dos órgãos do Poder Judiciário. Um dos painéis tratou sobre a desburocratização no Poder Judiciário. A exposição foi feita pelo secretário Especial de Programas, Pesquisas e Gestão Estratégica, Richard Pae Kim; pelo diretor-geral do Conselho Nacional de Justiça, Johaness Eck e pela juíza auxiliar da Presidência do CNJ Flávia Moreira Guimarães Pessoa.

O outro assunto em discussão foi a formação de servidores do Poder Judiciário, em painel coordenado pelo juiz auxiliar da Presidência do CNJ Carl Smith e pelo chefe do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Servidores do Poder Judiciário (CeaJud), Diogo Albuquerque Ferreira. Dados do Relatório Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Servidores do Poder Judiciário subsidiaram os debates, com informações sobre o número de vagas oferecidas, servidores capacitados, orçamento utilizado, além de análises históricas sobre esses temas.

O painel sobre os “Mecanismos de conciliação em ações de massa” foi conduzido pela conselheira do CNJ Daldice Santana e pela juíza auxiliar da Presidência do CNJ Lívia Cristina Marques Peres. O painel abordou a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesse sob a perspectiva do plano de ação bienal do Conselho Nacional de Justiça.

A conselheira do CNJ Maria Tereza Uille e a coordenadora do Grupo Operacional do Centro Nacional de Inteligência da Justiça Federal, Vânila Moraes, falaram sobre os “Centros de Inteligência do Poder Judiciário”.  A situação atual do sistema carcerário e as perspectivas de atuação do Judiciário para enfrentá-la também foram apresentadas. O painel mostrou os problemas estruturais do sistema prisional brasileiro e medidas para enfrentá-los, incluindo a valorização do juiz por meio da jurisdição especializada de execução penal. Os trabalhos foram coordenados pelo conselheiro Márcio Schiefler, e o juiz auxiliar da Presidência, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas, Luís Geraldo Santana Lanfredi.

Iniciativas da Corregedoria

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, apresentou, durante o painel setorial, três iniciativas estratégicas da Corregedoria Nacional de Justiça, a serem adotadas no decorrer do ano de 2019, com o objetivo de institucionalizar o sistema correcional do Poder Judiciário, garantindo a uniformização da atuação, bem como a prevalência da participação de todos na criação de um sistema verdadeiramente harmônico, que possa somar forças para melhor alcançar os seus objetivos constitucionais. São elas:

Fórum – Criação do Fórum Nacional das Corregedorias (Provimento n. 80/18). A ideia é criar um fórum de discussões que reúna todos os corregedores, pelo menos trimestralmente, nos mesmos moldes do artigo 12 da Resolução CNJ 198, para encontros prévios de formulação de metas para o Judiciário.

Sistema PJECorr – Implantação, por todas as corregedorias, do Processo Judicial Eletrônico das Corregedorias (PJECorr), sistema que possibilitará a tramitação dos processos disciplinares administrativos em ambiente eletrônico e o compartilhamento de dados, em tempo real, entre as corregedorias locais e a Corregedoria Nacional de Justiça. Hospedado no CNJ, o sistema proporcionará maior controle, transparência e agilidade na tramitação dos processos.

Serviço Extrajudicial – A institucionalização de um sistema de metas específico para os serviços notariais e de registro, medida que possibilitará o contínuo aperfeiçoamento dos serviços oferecidos, tornando-os mais eficientes e modernos. Instituída pelo Provimento 79 da Corregedoria Nacional de Justiça, a política institucional de Metas Nacionais do Serviço Extrajudicial prevê a governança colaborativa das corregedorias estaduais na elaboração das metas para os serviços extrajudiciais.

Metas para 2019:

 – Recorrer à conciliação como meio para solucionar conflitos voltará a ser prioridade para os tribunais de Justiça em 2019. No ano que vem, os tribunais deverão elevar em dois pontos percentuais o índice de conciliação de acordos em relação ao total de decisões terminativas.

– Os presidentes de tribunais também aprovaram sete outras metas que vão ordenar a atuação dos tribunais em 2019. Uma delas incumbiu a Justiça Eleitoral de priorizar julgamentos de casos de “ilícitos eleitorais”, como o Caixa 2, entre outros. Instituída pela primeira vez em 2013, para outros ramos da Justiça, será uma meta inédita para os tribunais regionais eleitorais e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que, atualmente, promover mais julgamentos de improbidade e crimes contra a Administração Pública era atribuição de outros ramos da Justiça. Ao final de 2019, a Justiça Eleitoral deverá identificar e julgar 90% dos processos referentes às eleições de 2016 e 75% das ações relativas às eleições gerais deste ano.

– Outra meta que mereceu destaque este ano foi a 8, relativa ao enfrentamento à violência doméstica e casos de feminicídio, que se tornou objetiva. No próximo ano, os juízes terão de identificar e julgar metade dos casos pendentes de julgamento relacionados a feminicídio distribuídos até 31/12/2018 e 50% dos casos sem julgamento relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher distribuídos no mesmo período.

– As metas nacionais foram discutidas e aprovadas durante as plenárias setoriais, que reuniram na tarde de terça-feira (4/12) representantes de tribunais dos vários segmentos do Poder Judiciário. Durante a plenária final, o conselheiro Fernando Mattos leu apenas os temas e os principais objetivos das metas e listou quais tribunais deveriam seguir cada uma delas. Elas servem para orientar as prioridades administrativas da cúpula dos tribunais.

 

Conheça as 8 Metas do CNJ para 2019:

Meta 1 : Julgar mais processos do que a quantidade distribuída no ano;

Meta 2: Julgar processos antigos;

Meta 3: Priorizar a conciliação;

Meta 4: Ampliar o combate à corrupção, improbidade administrativa e a ilícitos eleitorais;

Meta 5: Aumentar o índice de execução;

Meta 6: julgar mais ações coletivas;

Meta 7: Identificar e reduzir demandas repetitivas;

Meta 8: Julgar mais casos de feminicídios e de violência doméstica.

Fonte: TJ/SP | 05/12/2018.

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ARPEN/SP NOMEIA RAQUEL TOSCANO COMO DIRETORA REGIONAL DA GRANDE SÃO PAULO

A oficial de Aldeia – Distrito de Barueri, Raquel Borges Alves Toscano, foi nomeada como a nova diretora regional da Grande São Paulo da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen/SP).

Toscano assume o posto no lugar do oficial de Registro Civil de Cotia, Gustavo Renato Fiscarelli, que ficou dois anos à frente da Diretoria Regional, e agora fará a coordenação das 54 serventias da região

“Pretendo continuar o trabalho do Fiscarelli na Grande São Paulo, buscando sempre a valorização do nosso trabalho perante a sociedade e fomentando a união dos colegas”, afirmou.

Clique aqui e assista ao vídeo de Raquel Toscano

Por sua vez, Fiscarelli comentou sobre a mudança e lembrou do momento em que recebeu o convite para assumir o cargo. “Me senti extremamente honrado em assumir tamanha responsabilidade e dei o meu melhor. Agora, tenho certeza que a Raquel fará um trabalho ainda melhor que o meu. Por isso, desejo toda a sorte do mundo para ela”, finalizou.

Clique aqui e assista ao vídeo de Gustavo Fiscarelli

Fonte: Arpen/SP | 06/12/2018.

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Apelação – Ação indenizatória por danos materiais – Sociedade beneficente que recebeu dois imóveis em doação, com escritura lavrada em cartório – Tabelião que deixou de registrar a doação de um dos imóveis perante o registro de imóveis competente, sendo o bem transferido a terceiros

ACÓRDÃO – Decisão selecionada e originalmente divulgada pelo INR –

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 1015942-96.2015.8.26.0562, da Comarca de Santos, em que é apelante SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA (JUSTIÇA GRATUITA), é apelado MIGUEL GUSTAVO SALVIA BAIDA.

ACORDAM, em 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: “Deram provimento ao recurso. V. U.”, de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores COSTA NETTO (Presidente sem voto), PIVA RODRIGUES E GALDINO TOLEDO JÚNIOR.

São Paulo, 13 de novembro de 2018.

MARIELLA FERRAZ DE ARRUDA POLLICE NOGUEIRA

RELATORA

Assinatura Eletrônica

APELAÇÃO Nº 1015942-96.2015.8.26.0562

Órgão Julgador: 9ª Câmara de Direito Privado

Apelante: Sociedade Portuguesa de Beneficência

APELANTE: SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA

APELADO: MIGUEL GUSTAVO SÁLVIA BAIDA

COMARCA: SANTOS

JUIZ PROLATOR: RODRIGO GARCIA MARTINEZ

VOTO N.º 1.571

APELAÇÃO. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MATERIAIS. Sociedade beneficente que recebeu dois imóveis em doação, com escritura lavrada em cartório. Tabelião que deixou de registrar a doação de um dos imóveis perante o Registro de Imóveis competente, sendo o bem transferido a terceiros. Pretensão da autora em ser indenizada pelos prejuízos materiais suportados. Ação julgada extinta por ilegitimidade passiva. Insurgência pela autora. LEGITIMIDADE PASSIVA. O Tabelião que foi contratado para promover o depósito da escritura de doção a registro junto ao CRI competente, com remuneração correspondente, e não o faz, é parte legítima pata figurar no polo passivo da ação indenizatória decorrente dos danos causados pela omissão. Art. 22 da Lei 8.935/94. Extinção afastada. Causa madura, possível o julgamento em segundo grau pelo mérito (art. 1.013,§3º, I do CPC/2015). PRESCRIÇÃO. Demanda que visa reparação civil, cujo prazo prescricional é trienal, nos termos do art. 206, § 3º, V, do Código Civil. Violação que ocorre no momento em que a parte tem ciência da transferência do imóvel a terceiro, pela nota de devolução emitida pelo Cartório competente. Propositura dentro do triênio legal. MÉRITO. Ausência de apresentação da escritura a registro pelo réu que é incontroversa. Justificativas invocadas que não são hábeis a eximir sua responsabilidade. Ausência de comprovação quanto às alegações de comunicação de vício na operação pelo doador e sua subsequente comunicação ao donatário, e tampouco da adoção de providências administrativas que o legitimassem a obstar o ato que deveria realizar, na medida em que apenas ao Judiciário é possível o reconhecimento de nulidade/anulabilidade da escritura de doação lavrada. Dever de comunicação ao juízo competente previsto no artigo 30, da Lei nº 8.935/94 não comprovado. Omissão que permitiu que o mesmo imóvel fosse, em momento subsequente, objeto de nova disposição a terceiro, em prejuízo do direito da autora. Nexo causal evidenciado, pois ainda que tenha havido possível comportamento ilícito do próprio doador, o ato não seria realizado se a doação estivesse registrada no Cartório competente. Dano material configurado pelo decréscimo patrimonial suportado pela autora, devendo corresponder ao valor da nua-propriedade recebida em doação, conforme detalhada na própria escritura. Sentença reformada, com inversão dos ônus sucumbenciais. RECURSO PROVIDO.

VISTOS.

Trata-se de apelação interposta por SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA contra a r. sentença de fls. 118/121, cujo relatório se adota, que julgou extinta ação de Indenização por Danos Materiais ajuizada em face de MIGUEL GUSTAVO SÁLVIA BAIDA, sem resolução do mérito, por ilegitimidade de parte, com fundamento no art. 267, VI do CPC/1973. Em razão da sucumbência, atribuiu-se à autora o ônus pelo pagamento das custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da causa, observada a concessão da gratuidade de justiça.

Em seu apelo a autora sustenta que a inércia injustificada do apelado, que deixou de encaminhar para registro escritura de doação de bem imóvel, acabou por resultar na perda da nua-propriedade do referido bem que lhe havia sido legitimamente doado. Afirma que quando da contratação dos serviços prestados pelo tabelião-réu não havia qualquer óbice ao registro imediato da escritura de doação do bem e que, como suportou danos pela ausência do registro da doação, o que permitiu nova transferência da propriedade a terceiros, pretende ser indenizada materialmente. Ressalta a legitimidade do réu para responder à presente demanda, posto que teria sido ele o responsável pelos prejuízos suportados. No mérito aduz inexistir provas capazes de justificar a inércia do réu, bem como que o outro imóvel que lhe foi doado pelo mesmo doador foi devidamente registrado, não havendo motivos para o tratamento desigual dispensado pelo tabelião. Busca a reforma integral da r. sentença combatida (fls. 123/129).

Recurso regularmente processado e contrariado (fls. 133/145).

É O RELATÓRIO.

Trata-se de ação indenizatória ajuizada em face do tabelião responsável pelo 8º Cartório de Notas de Santos/SP, a quem se imputa comportamento omissivo na realização de suas atribuições que resultaram em danos à autora, sendo o processo extinto sem julgamento do mérito por ilegitimidade passiva.

Respeitado o entendimento esposado pelo D. Magistrado singular, o recurso merece ser provido.

A autora, entidade beneficente com atividades voltadas à prestação de serviços hospitalares, recebeu por ato de disposição voluntária a doação de dois bens imóveis que pertenciam ao Sr. Gabriel Carneiro Araújo, sendo um deles situado na cidade de São José dos Campos/SP e outro na cidade de São Paulo/SP, sendo lavradas escrituras públicas para tal (fls. 41/46) e pagos os emolumentos necessários perante o 8º Cartório de Notas de Santos/SP (fls. 55/56) a quem competiria efetuar o registro de tais doações. Tais escrituras foram lavradas na data de 24/08/2011 (fls. 41/46).

No que se refere ao imóvel situado em São José dos Campos/SP não houve qualquer problema. Contudo, o registro da doação do imóvel situado em São Paulo/SP não teria sido consumado, por inércia do próprio tabelião-réu, fato somente descoberto cerca de um ano após lavrada a escritura de doação, em consulta da própria donatária diretamente junto ao 14º Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo/SP, Cartório perante o qual se encontra depositada a matrícula daquele bem (fls. 48/53).

Apurou-se, na ocasião, que o doador transferiu o mesmo imóvel a terceiros em 21/12/2012, o que impediu o registro da doação.

Frente a este relato não há como subsistir a extinção do processo por ilegitimidade passiva.

A autora atribui ao tabelião a responsabilidade por seus prejuízos, na medida em que, tivesse ele cumprido as atribuições para o qual foi contratado, qual seja, a apresentação a registro da escritura de doação do bem imóvel, não teria perdido a nua-propriedade do referido bem pela impossibilidade de nova oneração a terceiro.

O recibo de pagamento de fls. 55/56 corrobora a alegação de que o réu foi contratado pela autora para a realização da lavratura das escrituras de doação de dois imóveis, assim como “recolhimento de ITBI; Expedição de Certidões inerentes a presente transação e depósito para o registro da mesma, junto ao Registro Imobiliário competente” (destaquei), tendo recebido para tanto a importância de R$ 13.464,44.

E o próprio réu admite em sua contestação que deixou de realizar a expedição/depósito das certidões inerentes à transação envolvendo o imóvel situado na cidade de São Paulo/SP, apresentando justificativas para essa omissão, conforme argumentos de fls. 72/73.

E diante dos fatos descritos, forçoso reconhecer que a ação foi corretamente direcionada ao cartorário, a quem se imputa comportamento causador dos danos sofridos pela autora, sendo a análise quanto à prática de comportamento ilícito e nexo causal com os danos ocasionados pela omissão matéria própria ao mérito, e não às condições da ação.

A hipótese encontra fundamento no artigo 22 da Lei 8.935/94, que dispõe:

“Art. 22. Os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso”.

Assim, forçoso reconhecer que está presente a legitimidade passiva do tabelião, impondo-se o afastamento da extinção do processo sem o julgamento do mérito.

Superada a extinção, possível o julgamento do feito pelo mérito, na forma do artigo 1.013, §3º, I do CPC/2015.

Não pode prosperar a invocação da prescrição.

Embora a lavratura de certidão de doação de bem imóvel tenha ocorrido na data de 24/08/2011 (fls. 41/46), mesma data da contratação dos serviços do réu, o prazo para a busca da reparação civil, de três anos, conforme art. 206, § 3º, V, do Código Civil, passou a flui da ciência pela autora da impossibilidade do registro da doação do bem imóvel, o que apenas ocorreu com a Nota de Devolução realizada pelo 14º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo/SP em 5/5/2013, conforme documentos de fls. 51/53.

e-mail invocado na defesa fls. 59, apenas demonstra o conhecimento pela autora de que, até aquele momento (maio/2012), não havia sido efetivado o registro, mas não sua impossibilidade de fazê-lo, sendo que é a partir do conhecimento desta pela nota de devolução do 14º Cartório que surge a pretensão indenizatória.

E assim, sendo a ação ajuizada em 25/06/2015, dentro do triênio prescricional, não se verificou a prescrição.

Quanto ao mérito, a discussão a ser enfrentada nos autos é se o comportamento do réu deu causa aos prejuízos suportados pela autora.

Restou incontroverso que não foram adotadas pelo réu as providências necessárias ao registro da escritura de doação.

A justificativa apresentada pelo tabelião foi a de que, após a realização da escritura, foi procurado pelo doador, que afirmou ter sido “enganado”, jamais possuindo real intenção de doar o imóvel de São Paulo, único bem que restaria para prover seu sustento, e que pretendia “cancelar” as escrituras. E na medida em que não era possível fazê-lo, atendeu a seu comando de não promover o registro, dando ciência do ato à autora.

As alegações não se mostram hábeis a afastar a responsabilidade do réu.

Inicialmente há que se observar a completa ausência de prova documental nos autos a demonstrar, quer a solicitação do doador para obstar o registro, quer a comunicação do mesmo evento ao donatário, valendo lembrar que a relação envolve Serventia Extrajudicial, ambiente estritamente burocrático, competindo-lhe, em qualquer situação, documentar impedimentos ou entraves ao exercício de sua função delegada, inclusive com comunicação ao Juiz Corregedor da Serventia, de forma a prevenir responsabilidades.

É dever que está expresso no artigo 30, da Lei 8.935/94. In verbis:

“Art. 30. São deveres dos notários e dos oficiais de registro:

(…)

XIII – encaminhar ao juízo competente as dúvidas levantadas pelos interessados, obedecida a sistemática processual fixada pela legislação respectiva.”

E se isso não bastasse, a justificativa tampouco é aceitável.

A Escritura de Doação foi lavrada perante o Tabelionato, contendo a manifestação de vontade expressada pelo doador, em ato de livre disposição de seus bens, e a partir de sua realização, a anulação e consequente supressão de efeitos apenas poderia ocorrer pela via judicial, pois mesmo atos nulos somente podem assim ser declarados pelo Poder Judiciário.

Quando muito se poderia imaginar que o réu, diante da alegação, pudesse orientar o doador a buscar seus direitos pela via judicial, sobrestando o registro por algum período, de forma a possibilitar que houvesse tempo hábil a que a parte interessada adotasse providências que lhe competiam, entre elas, a de buscar medida acautelatório destinada a obstar o registro da escritura de doação no curso de ação anulatória. E nessa hipótese, a conduta do serventuário estaria legitimada em cumprimento de ordem judicial de suspensão do ato de registro.

Contudo, não se pode ignorar que segundo a narrativa da própria defesa, a suposta comunicação de vício ocorreu poucos dias após a doação, ou seja, ainda em 2.011, e portanto, difícil conceber que se permitisse que a indefinição ao cumprimento do ato persistisse por anos, sem qualquer providência por parte do cartorário. A escritura foi apresentada para efetivo registro apenas em 2.013, momento em que o ato foi obstado pela constatação de antecedente transferência do bem a terceiro, segundo relato da autora, por nova doação e dessa vez, sem reserva de usufruto.

E frente a essa situação, não há como prevalecer o raciocínio da sentença de que o prejuízo da autora foi causado exclusivamente pelo ato do doador, pois ainda que o comportamento deste tenha se revelado ilícito, já que tinha conhecimento que o bem já não integrava seu patrimônio para que pudesse dispô-lo novamente, a qualquer título, a terceiro, o fato é que o ato não teria se realizado se o réu tivesse cumprido sua obrigação de apresentar a registro a escritura lavrada em 2.011.

Está, portanto, configurado o nexo causal entre a omissão do réu e o resultado danoso, já que com a efetivação do ato de apresentação da escritura a registro, atribuição conferida ao réu, a subsequente disposição do mesmo bem não teria se efetivado.

Dessa forma, presentes os requisitos autorizadores do reconhecimento da responsabilidade do réu, sendo eles, o comportamento omissivo, o dano sofrido, consistente na perda do benefício econômico gerado pelo bem doado, e o nexo causal entre a ação/omissão e o resultado, deve ser acolhida a pretensão indenizatória.

Veja-se, a respeito do tema, caso análogo onde reconhecida a responsabilidade de tabelião:

“AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS – LEGITIMIDADE PASSIVA. Jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça no sentido de que “as serventias extrajudiciais não são parte legítima para figurar no polo passivo de demanda em que se pretende a reparação de danos decorrentes dos serviços notariais ou registrais, recaindo a responsabilidade ao titular da serventia na época dos fatos”. Réu que era o tabelião designado à época dos fatos – DANOS MORAIS. Autor que contratou serviço oferecido pelo réu para averbação da escritura de compra e venda na matrícula do imóvel. Ausência de averbação que levou ao arrolamento do imóvel em ação judicial movida pela companheira do vendedor do imóvel. Exigência do Cartório de Registro de Imóveis que é bem posterior à contratação dos serviços, não sendo de justificativa para o descumprimento da obrigação ou cumprimento após três anos. Fatos narrados que extrapolam o mero aborrecimento. Indenização fixada em conformidade com seu caráter punitivo e ressarcitório DANOS MATERIAIS. Inocorrência. Ausência de comprovação dos danos materiais – Sentença reformada RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO” (TJSP; Apelação 1015325-25.2015.8.26.0114; Relator (a): Maria Salete Corrêa Dias; 6ª Câmara de Direito Privado; j.: 17/09/2018)

E quanto ao dano, tem-se que o comportamento do réu conduziu a decréscimo patrimonial da autora, que corresponde ao benefício que obteria com o imóvel doado. Contudo, não há como se acolher a pretensão de ressarcimento pelo valor de mercado do imóvel, antes, devendo ser acolhido o montante indicado na própria escritura como sendo o valor da nua-propriedade obtida em doação, ou seja, a importância de R$ 55.371,33 (fls. 45), que é o benefício patrimonial reconhecido pelas partes que realizaram o ato de disposição, com atualização monetária da data do ato de disposição e juros de mora de 1% ao mês da citação.

Diante do resultado do processo, com sucumbência da autora restrita ao valor da indenização, responderá o réu pela integralidade das custas e despesas processuais, bem como honorários advocatícios, fixados em 12% sobre o valor da condenação.

Ante o exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO.

MARIELLA FERRAZ DE ARRUDA POLLICE NOGUEIRA

Relatora – – /

Dados do processo:

TJSP – Apelação Cível nº 1015942-96.2015.8.26.0562 – Santos – 9ª Câmara de Direito Privado – Rel. Des. Mariella Ferraz de Arruda Pollice Nogueira – DJ 03.12.2018

Fonte: INR Publicações.

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Publicação: Portal do RI (Registro de Imóveis) | O Portal das informações notariais, registrais e imobiliárias!

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