Normas do CNJ complementam leis em transição para Justiça digital

A história do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se confunde com o processo de digitalização pelo qual passou e ainda passa o Poder Judiciário. Se o Conselho realizou sua primeira sessão plenária em junho de 2005, no ano seguinte seria editada a lei que primeiro tratou da informatização do processo judicial. Desde então o Legislativo tem atualizado as leis que regulam o setor enquanto o CNJ regulamenta a transição do tradicional Judiciário para sua versão digital.

Se a tramitação eletrônica de ações judiciais passou a ser admitida com a edição da Lei 11.419/06, em 2009, o CNJ estabeleceu por meio de Resolução os requisitos de nivelamento de tecnologia da informação no Judiciário. Em 2013, instituiu o Processo Judicial Eletrônico (PJe) como política pública nacional para os tribunais, um marco na história que foi iniciado em 2004 com a implantação de uma versão experimental nos juizados especiais do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).

Em 2015, o Congresso Nacional aprovou a nova versão do Código de Processo Civil (CPC) e atribuiu ao CNJ a competência para “regulamentar a prática e a comunicação oficial de atos processuais por meio eletrônico e velar pela compatibilidade dos sistemas”. Também cabia ao CNJ – e aos tribunais, em menor medida – a missão de disciplinar com suas próprias normas a incorporação progressiva de novos avanços tecnológicos.

Intensificação

De acordo com o secretário-geral do CNJ, juiz Valter Shuenquener, foi uma “missão” que o Conselho recebeu do CPC. “Hoje, o CNJ assumiu papel central ao desenvolver políticas públicas de caráter nacional para o Poder Judiciário, inclusive de que forma processos devem tramitar. E o CPC legitimou essa atuação até porque o Poder Legislativo não teria capacidade e celeridade para entrar no nível de detalhe que o Conselho consegue adentrar”, afirmou o magistrado, durante uma mesa virtual de debates da 4ª edição do ExpoJud nesta quarta-feira (23/6).

Desde que o novo código entrou em vigor, o CNJ tem regulamentado as atividades virtuais do Poder Judiciário. Nos últimos dois anos, no entanto, a profusão de normas acelerou a transição para a Justiça digital. Shuenquener citou um conjunto de resoluções que “revolucionou” o funcionamento dos tribunais e a relação da sociedade com a Justiça. Todas elas se alinham ao incentivo à Justiça Digital, um dos cinco eixos que balizam a Presidência do ministro Fux à frente do Conselho, iniciada em setembro de 2020.

Uma das resoluções foi a que criou a Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ), um “microssistema digital” que integrou os diferentes sistemas de tramitação eletrônica de processos judiciais utilizados pelos tribunais, de acordo com o juiz auxiliar da Presidência do CNJ Fábio Ribeiro Porto. “A resolução que criou a PDPJ foi a primeira aprovada, já na primeira sessão plenária do ministro Fux à frente do CNJ. Mostra a importância desse eixo da gestão do ministro”, afirmou o magistrado, que participou da mesma mesa de debates que Shuenquener.

Em seguida, a Resolução CNJ n. 385/2020 disciplinou o funcionamento de unidades judiciárias de forma totalmente virtual, com a criação do “Juízo 100% Digital”. De acordo com o juiz auxiliar da Presidência Anderson Paiva, a mudança de paradigma reduz custos para o erário e o tempo investido pelo usuário do Sistema de Justiça. “As pessoas deixavam de entrar com suas demandas pensando ‘vou ter de perder um dia de trabalho para o deslocamento até o fórum´, para onde haveria outras idas e vindas, sem falar dos custos de deslocamento, refeição e o custo social. Com o Juízo 100% Digital, o indivíduo pode estar em casa e investir só o tempo necessário para realização do ato. Hoje, iniciamos a ação de forma virtual, com menor gasto de tempo e dinheiro possível. É uma grande revolução”, disse Paiva, que também foi convidado do 4º Expojud.

Em abril deste ano, o Plenário do Conselho regulamentou, com a Resolução CNJ n. 398/2021, a criação dosNúcleos de Justiça 4.0, que tratam da especialização de varas em determinados assuntos, o que permite que causas mais específicas do direito possam ser judicializadas independentemente da localidade onde a demanda tenha se originado.

Com a Resolução CNJ n. 372, criou-se o Balcão Virtual, uma iniciativa derivada da experiência da Justiça durante a pandemia. Fechados por medida de segurança sanitária, os tribunais começaram a receber queixas dos advogados que não conseguiam ser atendidos nos fóruns. Com o Balcão Virtual, que todos as cortes devem oferecer, o advogado pede atendimento no portal do tribunal, sem sair de onde está. “Facilita acesso, reduz despesa, promove celeridade processual. A parte também não precisa mais se deslocar. Muitas vezes a vara é distante e o traslado exigia barco ou avião. Até fora do território nacional, pode-se saber do andamento do seu processo, graças ao Balcão Virtual”, afirmou o secretário-geral do CNJ, juiz Valter Shuenquener.

O magistrado citou ainda a Resolução CNJ n. 337, que exigiu dos tribunais a instalação de salas para a realização de videoconferência, medida que beneficia partes e advogados que não tenham equipamentos tecnológicos para acessar a Justiça. Também foi mencionada por Shuenquener a Resolução CNJ n. 375, que instituiu a equipe de trabalho remoto nos tribunais, outra medida inspirada na dinâmica de trabalho imposta pela pandemia da Covid-19, que vitimou no Brasil, até esta quinta-feira (24/6), 507 mil pessoas, segundo o consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados da pandemia no país.

Fonte: CNJ.

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EAD DA ARPEN/SP PASSA A REALIZAR CADASTROS AUTOMATIZADOS VIA CRC NACIONAL

Plataforma de treinamentos também pode ser acessada via App para ser utilizada em smartphones

Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen/SP) disponibiliza a seus associados um novo procedimento para cadastramento dos usuários em sua plataforma de cursos, o Portal EAD (www.ead.arpensp.org.br), que passa a realizar o procedimento de liberação de usuários de forma automatizada. Na plataforma são disponibilizados seminários e cursos realizados pela entidade. Clique aqui e acesse o manual.

“O Portal do EAD há muito proporciona aos associados um conteúdo gratuito fantástico para o aperfeiçoamento contínuo dos oficiais e de seus prepostos. Além de seu conteúdo de ponta, agora temos um cadastro automatizado, que traz uma maior facilidade de acesso à plataforma”, comentou Daniela Mroz, presidente da Arpen/SP.

A partir de agora, o novo participante que quiser acessar o Portal EAD, deverá preencher o formulário de cadastro e o sistema fará a verificação automática do CPF inscrito na CRC Nacional, recebendo em poucos minutos o login e a senha padrão para acesso. “Assim, aqueles que já tem o seu cadastro na CRC, conseguirão acessar o site em poucos minutos e iniciar os cursos em seguida”, disse Mroz. “Sem dúvida, o que já era bom, ficou ainda melhor!”

Caso o participante não seja cadastrado na CRC Nacional, ele receberá uma mensagem com orientações sobre como fazê-lo, devendo contatar o oficial de sua unidade para que seja viabilizado o cadastro na Central Nacional.

Aplicativo

A partir de agora o Portal EAD da Arpen/SP também poderá ser acessado por meio do aplicativo Moodle, um software de aprendizagem, que pode ser baixado para o celular do usuário pela App Store ou pelo Google Play.

Após a instalação do App, o usuário deverá digitar o endereço do Portal EAD (www.ead.arpensp.org.br) dentro do aplicativo. Ao entrar na plataforma da Arpen/SP, o participante deverá inserir seus dados de cadastro do sistema da Associação.

A partir daí, o usuário já poderá acessar todos os cursos, seminários e lives disponíveis no Portal EAD da Arpen/SP em seu celular, tendo a possibilidade de assistir a aula em qualquer lugar.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/SP.

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1VRP/SP: O cancelamento de cláusula restritiva convencional fazse, em regra, na via jurisdicional. Apenas em situações excepcionais admite-se seja a providência adotada na via administrativa, contanto comprovadas a descaracterização da proposta inicial do parcelamento e a inocorrência de ofensa ao direito de terceiros.

Processo 1029917-09.2021.8.26.0100

Pedido de Providências – Registro de Imóveis – Heloisa Vilela Branco Peres – – Rafael Branco Peres – Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido de providências formulado por Heloísa Vilela Branco Peres e Rafael Branco Peres em face do Oficial do 13º Registro de Imóveis da Capital. Deste procedimento não decorrem custas, despesas processuais e honorários advocatícios. Oportunamente, ao arquivo com as cautelas de praxe. P.R.I.C. – ADV: VICTORIA CARMIN MUSACHI (OAB 385875/SP)

Íntegra da decisão:

SENTENÇA

Processo Digital nº: 1029917-09.2021.8.26.0100

Classe – Assunto Pedido de Providências – Registro de Imóveis

Requerente: Heloisa Vilela Branco Peres e outro

Requerido: 13º Registro de Imóveis

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Luciana Carone Nucci Eugênio Mahuad

Vistos.

Trata-se de pedido de providências formulado por Heloísa Vilela Branco Peres e Rafael Branco Peres em face do Oficial do 13º Registro de Imóveis da Capital, requerendo o cancelamento de cláusula restritiva de construção convencional constante na matrícula nº 37.962 daquela serventia.

A parte requerente aduz que as restrições dizem respeito a construções que podem ser realizadas na área, notadamente quanto à metragem permitida em relação ao terreno, restrições estas que têm origem na transcrição de escritura de compra e venda lavrada em 1953; que as restrições não foram transmitidas aos herdeiros e/ou sucessores dos compradores na época da anotação, bem como que não podem se sobrepor ao plano diretor ulterior, o qual já contém previsão de limites construtivos na área em que localizado o imóvel. Juntou documentos às fls. 09/34.

O Oficial manifestou-se às fls. 42/48, sustentando não haver erro que justifique o cancelamento de ofício, pelo que necessário provimento judicial para feitura do ato, e mencionando precedente deste juízo em pedido análogo referente a imóvel localizado em quadra vizinha ao do objeto deste feito.

Houve manifestação da municipalidade às fls. 52/54, aduzindo que a legislação municipal incidente na área faz prevalecer a restrição convencional, notadamente porque o imóvel está localizado em local com loteamento aprovado pela prefeitura, pelo que seu cancelamento deve seguir os requisitos legais vigentes; que o procedimento administrativo adotado não é adequado à pretensão, já que o interesse envolve os demais moradores do loteamento. Vieram documentos às fls. 55/64.

O Ministério Público opinou pela improcedência (fls. 73/74).

É o relatório.

Fundamento e decido.

No mérito, o pedido é improcedente. Vejamos os motivos.

Como já observado pela E. Corregedoria Geral da Justiça no processo de autos n. 1091082-67.2015.8.26.0100, o parecer de lavra do eminente magistrado Luís Paulo Aliende Ribeiro no processo CGJ n. 791/04 firmou orientação adotada, desde então, no âmbito daquela Corregedoria, no sentido de que o cancelamento de cláusula restritiva convencional fazse, em regra, na via jurisdicional. Apenas em situações excepcionais admite-se seja a providência adotada na via administrativa, contanto comprovadas a descaracterização da proposta inicial do parcelamento e a inocorrência de ofensa ao direito de terceiros:

“Registro de Imóveis – Averbação – Pretensão de cancelamento de restrição convencional constante do contrato padrão inscrito em face da descaracterização da proposta inicial do loteamento – Situação de fato, referente a parcelamento antigo, comprovada, no caso, por elementos tabulares inequívocos – Desnecessidade de dilação probatória e demonstração da inocorrência de ofensa a interesse de terceiros que viabilizam, na hipótese, a excepcional utilização da via administrativa –

Recurso não provido.

(…) Eventual descaracterização da proposta inicial do empreendimento, acenada neste recurso, é matéria fática que ultrapassa os limites do procedimento de dúvida, no qual não se admite dilação probatória. Ademais, a solução administrativa somente seria possível com a concordância de todos os interessados no registro. Verifica-se, por fim, ser pacífica a jurisprudência deste Colendo Conselho Superior da Magistratura no sentido de que a existência de erros pretéritos do registro não autorizam nova e repetida prática do ato registrário irregular, inexistindo direito adquirido ao engano (Apelações Cíveis n°s 28.280-0/1, 14.094-0/5, 15.372-0/1, 13.616-0/1, entre outras).

Esta é a orientação geral, cuja manutenção se impõe, pois somente na via jurisdicional, mediante contraditório, é que, em regra, se viabiliza a constatação desses dois requisitos, quais seja, a comprovação da descaracterização da proposta inicial do parcelamento e a inocorrência de ofensa ao direto de terceiros.

A situação fática e registraria expressa nos presentes autos revela, no entanto, seja por estar tabular e documentalmente comprovada, de modo a evidenciar a desnecessidade de produção de outras provas, a flagrante descaracterização, na referida quadra, da proposta inicial do loteamento, seja em função dos termos em que redigida a própria restrição convencional, expressa no sentido de que instituída em favor dos terrenos contíguos, limitando aos terrenos da mencionada quadra o interesse na manutenção da restrição, excepcional hipótese de viabilidade da utilização da via administrativa para o reconhecimento da descaracterização da proposta inicial do empreendimento, a autorizar o atendimento da pretensão da recorrida e o levantamento, na quadra, da restrição imposta, há quase meio século, pelo loteador” (Recurso Administrativo 791/2004,04/12/2005).

Como visto, são requisitos essenciais para o cancelamento administrativo a comprovação inequívoca da descaracterização da proposta original de parcelamento da área e a inexistência de prejuízos a terceiros.

Tais requisitos, no presente caso, não foram comprovados.

Neste ponto, impende ressaltar que a hipótese distingue-se daquela trazida pelo Oficial (autos n. 1000668-47.2020.8.26.100), na medida em que, naquele feito, observou-se a comprovação dos requisitos supramencionados sem a necessidade de produção de outras provas, o que não se verifica no caso, como já dito.

De fato, não houve efetiva comprovação de descaracterização da proposta original, de modo que as restrições impostas na matrícula, referentes a limitações de construção no imóvel, ainda subsistem, impedindo cancelamento administrativo.

Em pesquisa pela ferramenta “google street view”, vinculado ao “google maps”, com acesso nesta data, verifica-se que o logradouro em que localizado o imóvel (rua Mariana Corrêa) ainda é composto integralmente por unidades residenciais na forma instituída pelo loteador, a despeito do longo tempo decorrido desde a implantação do empreendimento.

Quanto ao segundo requisito, também não há qualquer elemento nos autos capaz de demonstrar que as restrições referem-se apenas ao imóvel da parte requerente e não ao de outros vizinhos, à vista do que não se pode afastar de plano e nesta esfera administrativa eventual ofensa a direito de terceiros, os quais podem ter interesse em não ver construídos em sua quadra ou no logradouro obras que não se enquadrem nas limitações impostas.

Não bastasse isso, o imóvel está localizado em área com loteamento aprovado pela municipalidade (fls. 63/64), o que torna imperiosa a observação das cláusulas restritivas impostas pelo loteador, como bem observado pelo Ministério Público (fls. 73/74).

Note-se que a Lei Municipal n. 16.402/16 não autoriza o cancelamento das cláusulas, mas regulamenta tão somente o agir dos órgãos municipais quanto à análise da ocupação do solo no âmbito de sua competência. Em outras palavras, tal lei nada diz quanto à validade do registro das cláusulas restritivas, mas apenas quanto à sua aplicação para que determinado imóvel seja compatível com o zoneamento urbano.

Neste ponto, observa-se que o imóvel localiza-se em zona exclusivamente residencial (ZER-1), como informado pela municipalidade (fl. 53), pelo que as restrições convencionais mais restritivas, como no caso, deverão ser atendidas, na forma do disposto no art. 59 da referida lei:

“Art. 59. Nas ZER-1, ZER-2, ZERa, ZCOR-1, ZCOR-2, ZCOR-3, ZCORa e ZPR, as restrições convencionais de loteamentos aprovadas pela Prefeitura, estabelecidas em instrumento público registrado no Cartório de Registro de Imóveis, referentes a dimensionamento de lotes, recuos, taxa de ocupação, coeficiente de aproveitamento, altura e número de pavimentos das edificações, deverão ser atendidas quando mais restritivas que as disposições desta lei”.

Por fim, para dimensionar a importância das restrições convencionais em interesse de toda a coletividade no contexto urbano, vale reproduzir trechos do assentado no REsp 302906/SP, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, acerca das cláusulas urbanístico ambientais convencionais em imóveis da mesma região ora discutida, com nossos destaques:

“(…) 7. Negar a legalidade ou legitimidade de restrições urbanístico ambientais convencionais, mais rígidas que as legais, implicaria recusar cumprimento ao art. 26, VII, da Lei Lehmann, o que abriria à especulação imobiliária ilhas verdes solitárias de (e de outras cidades brasileiras), como o Jardim Europa, o Jardim América, o Pacaembu, o Alto de Pinheiros e, no caso dos autos, o Alto da Lapa e a Bela Aliança (City Lapa).

8. As cláusulas urbanístico-ambientais convencionais, mais rígidas que as restrições legais, correspondem a inequívoco direito dos moradores de um bairro ou região de optarem por espaços verdes, controle do adensamento e da verticalização, melhoria da estética urbana e sossego.

9. A Administração não fica refém dos acordos “egoísticos” firmados pelos loteadores, pois reserva para si um ius variandi, sob cuja égide as restrições urbanístico-ambientais podem ser ampliadas ou, excepcionalmente, afrouxadas.

10. O relaxamento, pela via legislativa, das restrições urbanístico ambientais convencionais, permitido na esteira do ius variandi de que é titular o Poder Público, demanda, por ser absolutamente fora do comum, ampla e forte motivação lastreada em clamoroso interesse público, postura incompatível com a submissão do Administrador a necessidades casuísticas de momento, interesses especulativos ou vantagens comerciais dos agentes econômicos.

11. O exercício do ius variandi, para flexibilizar restrições urbanístico ambientais contratuais, haverá de respeitar o ato jurídico perfeito e o licenciamento do empreendimento, pressuposto geral que, no Direito Urbanístico, como no Direito Ambiental, é decorrência da crescente escassez de espaços verdes e dilapidação da qualidade de vida nas cidades. Por isso mesmo, submete-se ao princípio da não-regressão (ou, por outra terminologia, princípio da proibição de retrocesso), garantia de que os avanços urbanístico-ambientais conquistados no passado não serão diluídos, destruídos ou negados pela geração atual ou pelas seguintes.

(…) 14. A regra da maior restrição (ou, para usar a expressão da Lei Lehmann, restrições “supletivas da legislação pertinente”) é de amplo conhecimento do mercado imobiliário, já que, sobretudo no Estado de São Paulo, foi reiteradamente prestigiada em inúmeros precedentes da Corregedoria-Geral de Justiça, em processos administrativos relativos a Cartórios de Imóveis, além de julgados proferidos na jurisdição contenciosa”.

Nesse contexto, de rigor o indeferimento do pedido nesta via administrativa.

Observe-se que a pretensão pode ser buscada pela via judicial, com participação de todos os possíveis interessados e respeito ao contraditório.

Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido de providências formulado por Heloísa Vilela Branco Peres e Rafael Branco Peres em face do Oficial do 13º Registro de Imóveis da Capital.

Deste procedimento não decorrem custas, despesas processuais e honorários advocatícios.

Oportunamente, ao arquivo com as cautelas de praxe.

P.R.I.C.

São Paulo, 21 de junho de 2021. (DJe de 24.06.2021 – SP)

Fonte: DJE/SP.

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