TJ/SP confirma anulação de escritura de venda de imóvel de idoso registrada antes de seu falecimento


Para colegiado, não há provas de que falecido e o sobrinho tenham acordado que o bem seria vendido por preço inferior.

A 3ª Câmara de Direito Privado do TJ/SP confirmou nulidade de escritura de compra e venda de imóvel registrada dias antes do falecimento de idoso proprietário do bem. Colegiado concluiu que não há qualquer prova que demonstre que o falecido e seu sobrinho acordaram que o bem seria vendido por preço inferior.

Consta nos autos que o idoso era proprietário de uma casa e, nos últimos meses de vida, passou a maior parte do tempo acamado. O homem não deixou ascendentes, descentes ou cônjuge sobrevivente. Os irmãos do homem se reuniram e um sobrinho informou que dois meses antes da morte do tio havia adquirido a casa onde ele morava, pelo valor de R$ 141,4 mil, sendo a escritura registrada quatro dias antes do falecimento.

A irmã do falecido ingressou na Justiça, pedindo a nulidade da escritura de compra e venda, alegando simulação do negócio jurídico, e que o imóvel era avaliado em R$ 400 mil. A autora ainda afirmou não haver comprovação de pagamento ao falecido.

O sobrinho, em sua defesa, alegou que o imóvel foi pago com o valor da venda de sete terrenos que possuía, e que o idoso esteve com plena capacidade mental até o fim de seus dias. O homem ainda disse que conviveu com o falecido por 40 anos, tendo adquirido o bem por preço justo, pois o imóvel é simples e antigo.

O juízo de 1º grau, ao analisar os dados bancários, contatou que o valor supostamente recebido não figura em nenhum banco. Ao entender que é forçoso reconhecer que a venda foi simulada, “visando afastar a ordem de vocação hereditária legalmente prevista”, o magistrado julgou procedentes os pedidos da autora.

Ao analisar o recurso do requerente, o relator, desembargador Dácio Tadeu Viviani Nicolau, julgou não prosperar o argumento do réu de que houve cerceamento de defesa.

“Embora o réu afirme que ocorreu cerceamento de defesa, não aponta como a prova testemunhal seria capaz de demonstrar que o vendedor estava em condições mentais de realizar o negócio enquanto estava vivo.”

O desembargador também rechaçou a alegação de que a escritura pública possui fé pública e faz prova plena ao considerar que “o documento público apenas produz os efeitos mencionados se válido, e a demanda questiona a própria validade da escritura pública”.

Por fim, o desembargador concluiu que o negócio foi realizado pouco antes do falecimento e por preço muito inferior ao valor do imóvel.

Assim, o colegiado decidiu manter a nulidade de escritura. O escritório Rodrigues de Camargo Advogados atuou na causa.

Processo: 1002729-18.2018.8.26.0368

Veja a decisão.

Fonte: Anoreg/BR

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Anulação de decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente, que examinou de modo originário pedido de gratuidade em habilitação para casamento deduzido perante serventia extrajudicial, por afronta à garantia do devido processo legal, com observação.


Número do processo: 41967

Ano do processo: 2019

Número do parecer: 172

Ano do parecer: 2019

Parecer

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA

Processo CG n° 2019/41967

(172/2019-E)

Anulação de decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente, que examinou de modo originário pedido de gratuidade em habilitação para casamento deduzido perante serventia extrajudicial, por afronta à garantia do devido processo legal, com observação.

Excelentíssimo Senhor Corregedor Geral da Justiça,

Trata-se de recurso administrativo de agravo de instrumento interposto contra decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente que indeferiu pedido de gratuidade deduzido perante serventia extrajudicial, determinou o pagamento de despesas relativas às pesquisas de bens realizadas nos autos e aplicou multa em face dos requerentes no importe de um salário mínimo (a fls. 02/92).

Os autos foram remetidos a esta Corregedoria Geral da Justiça pela C. 2ª Câmara de Direito Privado (a fls. 93/98).

É o relatório.

Opino.

Inicialmente compete observar a natureza administrativa das decisões das Corregedorias Permanentes, as quais estão sujeitas ao Poder Hierárquico da Corregedoria Geral da Justiça.

O pedido de gratuidade referente ao procedimento de habilitação para o casamento deve ser analisado e decidido no âmbito da serventia extrajudicial de Registro Civil no qual foi apresentado.

A questão somente é levada ao MM. Juiz Corregedor Permanente em sede de recurso administrativo dos interessados. Não encerra atribuição da Corregedoria Permanente decisão do pedido de gratuidade de modo direto, a exemplo do relatado no presente recurso.

Considerada a peculiaridade da situação concreta, ainda que a via adequada fosse recurso administrativo em face da decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente, é possível o exame da questão em sede de revisão hierárquica.

Isso porque as decisões das Corregedorias Permanentes podem ser revistas pela Corregedoria Geral da Justiça mediante revogação ou anulação.

A decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente, afrontou a garantia constitucional do devido processo legal por razões de três ordens: (i) competia devolução do expediente à unidade extrajudicial para decisão pela responsável; (ii) não cabia o processamento e decisão da questão sem intimação e participação dos Srs. Requerentes e; (iii) apesar da atuação de boa-fé do MM. Juiz Corregedor Permanente, não era pertinente o processamento como ação judicial com a imediata pesquisa de bens.

Desse modo, salvo melhor juízo de Vossa Excelência, é o caso da anulação da decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente para determinar a devolução do exame do pedido de gratuidade pelo Titular de Delegação (ou responsável).

Além disso, eventualmente, competiria determinar a exclusão dos autos das informações relativas à pesquisa de bens dos interessados, bem como decretar sigilo no expediente.

Ante o exposto, o parecer que, respeitosamente, submete se à elevada apreciação de Vossa Excelência é no sentido da anulação da decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente, que indeferiu o pedido de gratuidade para o procedimento de habilitação para o casamento, devolvendo-se o exame da questão ao responsável pela unidade, com a observação da exclusão das informações relativas à pesquisa de bens dos interessados e o decreto de sigilo no expediente.

Sub censura.

São Paulo, 1 de abril de 2019.

Marcelo Benacchio

Juiz Assessor da Corregedoria

DECISÃO: Aprovo o parecer do MM. Juiz Assessor da Corregedoria e, por seus fundamentos, que adoto, anulo a decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente com determinação da remessa da questão (pedido de gratuidade em habilitação para o casamento) ao Sr. Oficial do Registro Civil, bem como, da exclusão dos autos das informações relativas à pesquisa de bens dos interessados e da decretação de sigilo no expediente. Encaminhe-se cópia do parecer e desta decisão ao MM. Juiz Corregedor Permanente, o qual deverá informar seu cumprimento a esta Corregedoria Geral da Justiça, no prazo de cinco dias. Publique-se. São Paulo, 02 de abril de 2019. (a) GERALDO FRANCISCO PINHEIRO FRANCO, Corregedor Geral da Justiça – Advogada: JOICE NAIA SIQUEIRA, OAB/SP 375.087.

Diário da Justiça Eletrônico de 05.04.2019

Decisão reproduzida na página 063 do Classificador II – 2019

Fonte: INR Publicações

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