Câmara – Projeto proíbe embargo total de imóvel rural por prática de crime ambiental

O Projeto de Lei 6148/19 altera a Lei de Crimes Ambientais  para estabelecer que o embargo de obra ou atividade em imóvel rural por conta de crime ambiental deve se restringir exclusivamente à área na qual se verificou a prática do ilícito. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

Autor do projeto, o deputado Marcelo Brum (PSL-RS) concorda que, ao impedir a continuidade do dano ambiental, o embargo é uma medida necessária. Ele avalia, no entanto, que os órgãos ambientais vêm usando o embargo sem critérios para paralisar qualquer atividade agrossilvipastoril em todo o imóvel rural.

“Como sabem que o processo sancionador ambiental leva um tempo considerável até a decisão definitiva sobre multas e outras sanções, usam o embargo cautelar como uma forma de sanção sem processo administrativo prévio”, argumenta. “Entendemos que apenas a área com irregularidade pode ser embargada”, completa Brum.

O texto do projeto também proíbe o embargo de atividade agrossilvipastoril nos casos em que a infração se der fora de área de preservação permanente ou da reserva legal. “Se a área potencialmente pode ser objeto de conversão para uso alternativo do solo, não se justifica o embargo. Podem ser aplicadas outras sanções administrativas”, finalizou.

Conforme a Lei de Crimes Ambientais, as infrações podem ser punidas com: advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais, produtos, equipamentos ou veículos utilizados; destruição ou inutilização do produto; suspensão de venda e fabricação do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de atividades; e restrição de direitos.

Tramitação
O texto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Fonte: Anoreg/BR

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MG: Aviso nº 9/CGJ/2020 – Avisa sobre a prestação, pelos Ofícios de Registro Civil das Pessoas Naturais, de outros serviços remunerados

AVISO Nº 9/CGJ/2020

Avisa sobre a prestação, pelos Ofícios de Registro Civil das Pessoas Naturais, de outros serviços remunerados, conexos aos seus serviços típicos, mediante convênio devidamente homologado pela Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais – CGJ, em credenciamento ou em matrícula com órgãos públicos e entidades interessadas.

O CORREGEDOR-GERAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, no uso das atribuições que lhe confere os incisos I e XIV do art. 32 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, aprovado pela Resolução do Tribunal Pleno nº 3, de 26 de julho de 2012,

CONSIDERANDO a Lei nº 13.484, de 26 de setembro de 2017, que “altera a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos”;

CONSIDERANDO que, consoante o § 3º do art. 29 da Lei nº 6.015, de 1973, é facultada aos ofícios de Registro Civil das Pessoas Naturais de todo o país a prestação de serviços remunerados mediante a celebração de convênios, credenciamento ou matrícula com órgãos públicos e entidades de outra natureza;

CONSIDERANDO o Provimento da Corregedoria Nacional de Justiça nº 66, de 25 de janeiro de 2018, que “dispõe sobre a prestação de serviços pelos ofícios de registro civil das pessoas naturais mediante convênio, credenciamento e matrícula com órgãos e entidades governamentais e privadas”;

CONSIDERANDO que o Supremo Tribunal Federal – STF, por maioria, julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados na Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 5855, para conceder interpretação conforme à Constituição ao § 3º do art. 29 da Lei nº 6.015, de 1973, na redação dada pela Lei nº 13.484, de 2017, e declarar a nulidade parcial com redução de texto da expressão “independe de homologação” do § 4º do referido art. 29;

CONSIDERANDO, ainda, que o STF declarou a constitucionalidade integral do Provimento da Corregedoria Nacional de Justiça nº 66, de 2018, na ADI nº 5855;

CONSIDERANDO que o Plenário do Conselho Nacional de Justiça, no Pedido de Providências n° 0005312-54.2018.2.00.0000, referendou, por unanimidade, o Provimento da Corregedoria Nacional de Justiça n° 66, de 2018;

CONSIDERANDO o que ficou consignado no processo do Sistema Eletrônico de Informações – SEI nº 0026791-42.2018.8.13.0000,

AVISA aos juízes de direito, servidores, notários e registradores do Estado de Minas Gerais e a quem mais possa interessar que, nos termos do Provimento da Corregedoria Nacional de Justiça n° 66, de 25 de janeiro de 2018, os ofícios do registro civil das pessoas naturais podem prestar outros serviços conexos remunerados, na forma prevista em convênio, devidamente homologado pela Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais – CGJ, em credenciamento ou em matrícula com órgãos públicos e entidades interessadas.

AVISA, ainda, que o referido convênio pode ser firmado pela entidade de classe dos registradores civis de pessoas naturais de mesma abrangência territorial do órgão ou da entidade interessada.

Belo Horizonte, 28 de janeiro de 2020.

(a) Desembargador JOSÉ GERALDO SALDANHA DA FONSECA
Corregedor-Geral de Justiça

Fonte: Recivil

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PR: Justiça do Paraná permite que casal concretize adoção de bebê morto

A 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná – TJPR permitiu que o curso de um processo de adoção seguisse mesmo após a morte do bebê. A relação de afeto estabelecida em apenas dois dias de convívio foi bastante para que o casal de adotantes quisesse ir até o fim no reconhecimento da parentalidade.

A mãe biológica da criança tomou medicamentos abortivos a fim de interromper a gravidez, o que acabou antecipando o parto para a 23ª semana de gestação. Prematura, a menina foi entregue à adoção, já que a progenitora não tinha condições para criá-la. A saúde frágil do bebê o fez ser rejeitado por quatro casais.

Um quinto casal, contudo, decidiu pela adoção da menina. Ela morreu no quinto dia de vida e dois dias após o início do estágio de convivência, sem a conclusão desse processo. Mesmo após a fatalidade, o casal optou por concretizar a adoção, reconhecendo a menina como filha.

Em primeiro grau de jurisdição, o juiz ressaltou que não poderia ignorar a relação de afeto existente na situação, em que pais deram nome e sepultaram a filha na presença de familiares e amigos. Destacou, ainda, que a ausência de previsão a respeito da possibilidade de conclusão da adoção após a morte do adotando na legislação brasileira não significa a proibição de concretizá-la.

Após a sentença favorável ao pleito, o Ministério Público recorreu, alegando que a adoção não seria juridicamente possível nessas circunstâncias, devido à perda do objeto do processo e à falta de previsão legal. Por unanimidade, a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná não acolheu o recurso e manteve as determinações da sentença.

Decisão traz olhar sensível e humanizado

Segundo o juiz Fernando Moreira, vice-presidente da Comissão de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, a decisão traz uma percepção mais sensível, não apenas fixada em normas, para os processos de adoção. Trata-se, de acordo com o magistrado, de uma tendência crescente no ordenamento jurídico brasileiro.

“Ao suprir a lacuna legal para permitir o prosseguimento do processo de adoção, mesmo após a morte da criança adotanda, o Poder Judiciário do Estado do Paraná mostrou uma visão mais humanizada do intérprete na aplicação do Direito, privilegiando as questões existenciais que, por muito tempo, foram deixadas à margem das decisões judiciais”, observa Fernando.

“Essa visão pro homine se mostra como uma tendência do nosso Judiciário, sobretudo em matéria de adoção. A título de exemplo, citam-se: a relativização da diferença de idade mínima entre adotante e adotando, atualmente em 16 anos de idade; a excepcional autorização de adoção por pessoas que não estavam cadastradas à adoção, mas que criaram vínculos de afetividade com a criança ou com o adolescente; o uso do nome afetivo durante todo o processo de adoção etc.”, acrescenta o juiz.

Ele diz que pleitos como esse, julgado no Paraná, são raros. “É mais comum ver situações em que os pais falecem no curso do processo. Mas, caso surjam casos semelhantes, certamente o julgado do TJPR foi lapidar para demonstrar os rumos a adotar.”

Questões patrimoniais costumam gerar controvérsias

O magistrado atenta que casos assim não costumam acompanhar controvérsias ou argumentos contrários. “No presente caso, o magistrado enfatizou que não havia interesses patrimoniais envolvidos, ou seja, a criança não possuía patrimônio. Mas, mesmo que houvesse interesse patrimonial, penso que o Poder Judiciário deveria ter decidido da mesma forma. Não vejo razão para negar a consolidação de um vínculo existencial pela adoção em razão de uma questão meramente patrimonial”, defende Fernando.

“Aliás, parece incompatível com o princípio da boa-fé objetiva a conduta dos pais que entregam o filho para adoção e, posteriormente, reivindicam a herança. Mesmo que se alegasse que os pais que entregam o filho para adoção possuem o direito de arrependimento, previsto no artigo 19-A, §8º, do ECA, não devemos nos esquecer que se trata de um caso de indignidade, que justifica a exclusão da sucessão em razão do atentado contra vida do próprio filho, conforme artigos 1.814 e seguintes do Código Civil”, acrescenta.

“Já aqueles que amaram a criança e zelaram de sua integridade psíquico-física como filho, exercendo a autoridade parental, mesmo que por breve espaço de tempo, mereceriam a suposta herança”, assinala.

Poucos dias foram suficientes para o vínculo de afeto

Por outro lado, havia a possibilidade da alegação que não houve vínculo de afeto consolidado no curto espaço de convivência, de apenas dois dias. “Contudo, não se deve esquecer que houve um longo processo de habilitação para adoção, no qual os pais foram devidamente preparados para aquele momento”, pondera Fernando.

“Na sequência, após a notícia da existência de uma criança disponível para adoção, foram novas expectativas: o contato da Vara da Infância com a família, a visita ao acolhimento ou à maternidade para conhecer a criança, a novidade noticiada aos quatro ventos pela família de que o filho chegara, a angústia por uma provável morte prematura.”

“Tudo isso possui valor jurídico que não pode ser desprezado pelo julgador. Definitivamente, a existência de diversos direitos da personalidade envolvidos não permite tratar o caso como mera perda de objeto”, sustenta o magistrado.

Fonte: IBDFAM

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