1VRP/SP: EMENTA NÃO OFICIAL. PROTESTO – CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA – INTIMAÇÃO POSTAL – ENTREGA NO ENDEREÇO INFORMADO PELO APRESENTANTE – RECEBIMENTO POR TERCEIRO – DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL DO DEVEDOR – ENDEREÇO DESATUALIZADO – DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO – DEVER DO CONTRIBUINTE DE MANTER ATUALIZADOS SEUS DADOS CADASTRAIS – INTIMAÇÃO REGULAR – DESNECESSIDADE DE BUSCAS COMPLEMENTARES OU INTIMAÇÃO POR EDITAL – EMOLUMENTOS PARA CANCELAMENTO DEVIDOS – AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE NA ATUAÇÃO DO TABELIÃO – RECLAMAÇÃO IMPROCEDENTE.


Processo 0028014-77.2026.8.26.0100
Pedido de Providências – Reclamação do extrajudicial (formulada por usuários do serviço) – Izabela Nascimento Vital – Assim, não se identifica vício formal capaz de invalidar o protesto nem atuação irregular por parte do Tabelião, pelo que JULGO IMPROCEDENTE a presente reclamação. Comunique-se à E. Corregedoria Geral da Justiça, servindo a presente decisão como ofício. Sem custas, despesas ou honorários. Oportunamente, arquivem-se. P.I.C. – ADV: IZABELA NASCIMENTO VITAL (OAB 389633/SP)
Íntegra da decisão:
SENTENÇA
Processo Digital nº: 0028014-77.2026.8.26.0100
Classe – Assunto Pedido de Providências – Reclamação do extrajudicial (formulada por usuários do serviço)
Requerente: Izabela Nascimento Vital
Requerido: 2º Tabelião de Protesto de Letras e Títulos de São Paulo
Juiz(a) de Direito: Dr(a). Luciana Carone Nucci Eugênio Mahuad
Vistos.
Trata-se de reclamação encaminhada pela E. Corregedoria Geral da Justiça (Processo SEI n. 2026/8.26.000006519.4), a qual foi feita por Izabela Nascimento Vital contra o 2º Tabelião de Protesto de Letras e Títulos da Capital.
A parte alega irregularidade no procedimento de protesto de certidão de dívida ativa apresentada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, já que não foi previamente notificada; que tomou conhecimento da existência do protesto apenas após receber comunicação do tabelionato informando a autorização para cancelamento do apontamento, com exigência dos emolumentos para baixa; que jamais recebeu qualquer notificação relacionada à apresentação do título antes da lavratura do ato; que obteve informação de que a intimação postal foi remetida para endereço no qual não reside há muitos anos; que não conhece a pessoa que recebeu a correspondência; que o único contato que efetivamente chegou ao seu conhecimento foi aquele destinado à exigência das despesas para cancelamento; que, inexistindo notificação regular, não há constituição válida da dívida nem procedimento legalmente eficaz para embasar o protesto; que a exigência dos emolumentos para cancelamento transfere ao usuário do serviço os efeitos econômicos de uma falha no procedimento de intimação (fls. 03/08 e 09/13).
Deferiu-se a prioridade de tramitação, com intimação da serventia para esclarecimentos (fl. 16).
O Tabelião prestou informações às fls. 21/25, esclarecendo que o título foi apresentado por indicação e protocolizado sob n. 1068 em 05 de fevereiro de 2026; que a intimação foi enviada para o endereço indicado pelo apresentante, onde foi recebida no dia 09 de fevereiro de 2026 por pessoa que se identificou e assinou o recebimento, reputando-se cumprida a intimação nos termos do artigo 14 da Lei n. 9.492/97; que, diante da ausência de pagamento e de manifestação da parte devedora, o protesto foi lavrado no dia 10 de fevereiro de 2026; que, após o apontamento do título, a serventia dirigiu comunicações a cinco endereços eletrônicos vinculados à devedora; que não há nos arquivos da serventia declaração de alteração de endereço apresentada pela devedora anteriormente ao apontamento; que, após a regularização do débito, o credor encaminhou autorização de cancelamento, tendo a serventia comunicado o fato à devedora, com o valor dos emolumentos; que a intimação de protesto é ato que segue lei especial, não sendo aplicáveis o CPC nem o CDC; que o artigo 14 da Lei n.9.492/97 não exige entrega da intimação ao próprio devedor; que a alegação de desconhecimento do recebedor não interfere na validade do ato; que não se configurou qualquer das hipóteses do artigo 15 da Lei n. 9.492/97: alguém se dispôs a receber a intimação e se identificou, retornando à serventia o aviso de entrega comprovada, dispensando-se buscas complementares; que o endereço diligenciado foi indicado pela apresentante do título, que é o responsável pelos dados fornecidos; que, tratando-se de dívida tributária, incumbe ao contribuinte manter atualizado seu domicílio tributário, obrigação acessória a ele imposta; que a intimação se aperfeiçoou pela via física e as comunicações eletrônicas constituíram medida adicional de diligência, não se confundindo com a intimação eletrônica; que os emolumentos relativos ao cancelamento são fixados em lei e têm natureza tributária de taxa, sendo indisponíveis ao delegatário; que o cancelamento é ato praticado a requerimento do interessado e o emolumento correspondente é devido por quem o requer; que não há erro de fato ou de direito imputável à serventia.
A parte reclamante foi intimada acerca das informações, mas não se manifestou (fls. 31/34).
O Ministério Público opinou pela improcedência, reconhecendo a regularidade do procedimento de intimação e protesto, bem como a inexistência de falta disciplinar (fls. 38/40).
É o relatório.
Fundamento e decido.
No mérito, tendo em vista as informações fornecidas e os documentos que as acompanham, não vislumbro conduta passível de aplicação de medida disciplinar ou providência a ser determinada. Vejamos.
A qualificação de títulos e documentos de dívida apresentados para protesto envolve apenas o exame dos caracteres formais.
Assim, quando preenchidos os requisitos legais, o Tabelião não pode se recusar a realizar os atos próprios da função pública que foi confiada a ele.
O procedimento de protesto exige: (a) qualificação formal do título; (b) expedição da intimação ao endereço indicado; (c) tentativa válida de entrega; (d) observância do prazo legal (art. 12 da Lei 9.492/1997); (e) lavratura após o tríduo, se não houver pagamento, desistência ou sustação.
O procedimento a ser observado é aquele prescrito pela Lei de Protestos e pelas Normas de Serviço Extrajudicial da Corregedoria de Justiça de São Paulo (Seção VI do Capítulo XV, destaques nossos):
“Art. 14. Protocolizado o título ou documento de dívida, o Tabelião de Protesto expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento, considerando-se cumprida quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço.
§1º. A remessa da intimação poderá ser feita por portador do próprio tabelião, ou por qualquer outro meio, desde que o recebimento fique assegurado e comprovado através de protocolo, aviso de recepção (AR) ou documento equivalente.
§2º. A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, elementos de identificação do título ou documento de dívida, e prazo limite para cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como número do protocolo e valor a ser pago. (…)
Art. 15. A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato, ou, ainda, ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço fornecido pelo apresentante”.
“44. A intimação ao devedor ou ao sacado será expedida pelo Tabelião para o endereço inicialmente fornecido pelo apresentante do título ou documento de dívida, mesmo se localizado em Comarca diversa da circunscrição territorial do tabelionato, considerando-se cumprida quando comprovada sua entrega naquele endereço ou, à vista do previsto no item 51 deste Capítulo, no que for encontrado.
44. 1. A remessa da intimação poderá ser feita através de portador do próprio tabelião, ou por qualquer outro meio, desde que o recebimento fique assegurado e comprovado através de protocolo, aviso de recepção (A.R.) ou documento equivalente.
44. 2. A intimação também pode ser expedida por telegrama, transmitido à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), com observação do item 45 deste Capítulo, considerando-se cumprida com a confirmação de entrega no endereço do destinatário, da qual conste a data, a hora e o nome da pessoa que recebeu o telegrama. (…)
51. Antes da expedição do edital, devem ser buscados meios de localização do devedor existentes em suas bases de dados, ou em bases públicas de acesso disponível, incluída a que for mantida pela CENPROT Central de Serviços Compartilhados dos Tabeliães de Protesto mediante autorização por norma específica.
52. Em caso de recusa no recebimento da intimação, o fato será certificado, expedindo-se edital.
53. A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, ou quando, na forma do item 44, for tentada a intimação no seu endereço.
53.1. Considera-se frustrada a intimação por meio postal quando o aviso de recepção (A.R.) não for devolvido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) no prazo de quinze dias úteis, contado da remessa da primeira (cf. item 47 e subitem 47.1. deste Capítulo) intimação (…)”.
Como se vê, o item 44 do Capítulo XV das Normas de Serviço estabelece que a intimação deve ser expedida para o endereço fornecido pelo apresentante, considerando-se cumprida quando comprovada a sua entrega.
A legislação especial não exige entrega pessoal ao devedor. Exige apenas a comprovação da entrega da correspondência no endereço informado pelo apresentante do título.
Foi exatamente o que ocorreu.
A ordem de protesto demonstra que o endereço utilizado pela serventia foi aquele expressamente indicado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no momento da apresentação eletrônica do título (fl. 26).
O instrumento de protesto, por sua vez, certifica que a intimação ocorreu mediante aviso de recebimento e que foi entregue no referido endereço, não havendo qualquer declaração ou oposição por parte da devedora durante o tríduo legal (fl. 29).
Não há elementos que permitam concluir pela ciência da serventia acerca de eventual desatualização do endereço fornecido pelo apresentante.
Ao contrário, a documentação revela que o Tabelionato utilizou rigorosamente os dados recebidos da credora, observando os limites de sua atuação legal.
Também não se configura qualquer das hipóteses que autorizariam ou exigiriam a adoção do procedimento de intimação por edital previsto no artigo 15 da Lei n. 9.492/1997 e nas Normas de Serviço (Seção VI, Cap. XV), uma vez que a diligência postal foi exitosa.
Por essa razão, não incidem ao caso os entendimentos jurisprudenciais que exigem o esgotamento prévio dos meios de localização do devedor antes da publicação de edital, já que a intimação postal não foi frustrada.
A alegação de que a reclamante não mais residia no local e desconhece a pessoa identificada como recebedora tampouco é suficiente para demonstrar irregularidade do procedimento, notadamente porque se trata de domicílio tributário.
Cumpre observar que a legislação tributária impõe ao contribuinte o dever de manter atualizados os dados cadastrais utilizados pela Administração Tributária para fins de comunicação dos atos relacionados à constituição e cobrança do crédito tributário.
O Código Tributário Nacional dispõe, em seu artigo 127, que, na falta de eleição pelo contribuinte ou responsável, considera-se domicílio tributário o lugar de sua residência habitual ou, tratando-se de pessoa jurídica, o local de sua sede ou estabelecimento. O dispositivo também confere à autoridade administrativa a possibilidade de recusar domicílio eleito quando este impossibilitar ou dificultar a arrecadação ou a fiscalização tributária.
A eleição e manutenção de domicílio tributário válido decorrem dos deveres instrumentais impostos ao contribuinte, os quais se inserem no âmbito das obrigações acessórias previstas no artigo 113, § 2º, do Código Tributário Nacional. Tais deveres compreendem não apenas o fornecimento de informações corretas ao Fisco, mas também sua permanente atualização, de modo a assegurar a efetividade da fiscalização e das comunicações administrativas.
Assim, uma vez disponibilizados mecanismos para atualização cadastral perante a Administração Pública, incumbe ao próprio contribuinte zelar pela correção e atualidade dos dados fornecidos. A ausência de atualização do endereço físico ou eletrônico informado ao Fisco não pode ser oposta para invalidar comunicações regularmente expedidas ao domicílio cadastrado, sob pena de transferir à Administração as consequências de omissão atribuível exclusivamente ao administrado.
A jurisprudência dos tribunais superiores tem reconhecido, reiteradamente, que a regular expedição de notificações ao endereço constante dos cadastros fiscais atende às exigências legais, competindo ao contribuinte demonstrar eventual irregularidade do procedimento, não bastando a mera alegação de que deixou de receber a correspondência por desatualização cadastral imputável a si próprio.
Nesse sentido (destaques nossos):
“PROCESSUAL CIVIL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. PESSOA FÍSICA. ART. 23, II DO DECRETO Nº 70.235/72. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL. OBRIGATORIEDADE DO CONTRIBUINTE DE MANTER ATUALIZADO SEU DOMICÍLIO FISCAL PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTIMAÇÃO POSTAL PROFÍCUA. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO POR EDITAL.
1. É do contribuinte a obrigação de manter atualizado seu domicílio fiscal perante a Administração Tributária, presumindo-se válida a intimação dirigida ao endereço ali registrado.
2. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a intimação postal para efeito do processo administrativo fiscal estabelecido pelo Decreto n. 70.235/72.
3. Conforme prevê o art. 23, II do Decreto nº 70.235/72, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do contribuinte pessoa física, exigência extensível tão-somente para a intimação pessoal, bastando apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio ou qualquer outra pessoa a quem o senso comum permita atribuir a responsabilidade pela entrega da mesma, cabendo ao contribuinte demonstrar a ausência dessa qualidade.
4. Precedentes: Resp. nº. 1.029.153/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 05.05.2008, p. 1; REsp. n. 754.210/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2008; AgRg no AREsp 57707 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 17.04.2012; EDcl no AgRg no REsp 963584 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 02.06.2009; REsp 923400 /CE, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18.11.2008; REsp 998285 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 07.02.2008; REsp 380368 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Paulo Medina, julgado em 21.02.2002.
5. Fixado pela Corte de Origem o pressuposto fático de que foi profícua a intimação via postal, desnecessária a intimação por edital.
6. Recurso especial não provido” (REsp n. 1.197.906/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 4/9/2012, DJe de 12/9/2012).
A própria reclamante confirma que residiu há muitos anos naquele endereço e, além de não produzir prova capaz de infirmar a presunção de legitimidade dos atos praticados pelo Tabelião, permaneceu silente após a prestação de informações e juntada dos documentos pela serventia (fl. 34).
Assim, subsiste íntegra a presunção de veracidade decorrente da fé pública que reveste os atos notariais e registrais.
Também não procede a insurgência relacionada à cobrança dos emolumentos de cancelamento.
A exigência encontra amparo expresso na legislação estadual aplicável e decorre da prática de ato posterior requerido pela credora interessada, inexistindo elemento apto a afastar sua incidência. A comunicação enviada pelo Tabelião visava justamente possibilitar à usuária o cancelamento do protesto diante da autorização recebida (fl. 08).
Assim, não se identifica vício formal capaz de invalidar o protesto nem atuação irregular por parte do Tabelião, pelo que JULGO IMPROCEDENTE a presente reclamação.
Comunique-se à E. Corregedoria Geral da Justiça, servindo a presente decisão como ofício.
Sem custas, despesas ou honorários.
Oportunamente, arquivem-se.
P.I.C.
São Paulo, 09 de setembro de 2026.
Luciana Carone Nucci Eugênio Mahuad
Juíza de Direito (DJEN de 10.09.2026 – SP)


Fonte: DJEN

Publicação: Portal do RI (Registro de Imóveis) | O Portal das informações notariais, registrais e imobiliárias!

Para acompanhar as notícias do Portal do RI, siga-nos no twitter, curta a nossa página no facebook e/ou assine nosso boletim eletrônico (newsletter), diário e gratuito.




CSM/SP: Registro de Imóveis – Loteamento – Impugnação ao registro – Alegada caducidade do Certificado de Aprovação do GRAPROHAB – Tese recursal fundada na Resolução SH nº 21/2009, expressamente revogada pela Resolução SH nº 51/2022 – Prazo de validade de quatro anos fixado pelo art. 10 do Decreto Estadual nº 66.960/2022 – Certificado expedido em 26/09/2023 – Documento válido e eficaz ao tempo da prenotação e da sentença – Inexistência de óbice registral – Sentença mantida – Recurso não provido.


Apelação Cível nº 1000054-09.2025.8.26.0604

Espécie: APELAÇÃO
Número: 1000054-09.2025.8.26.0604
Comarca: SUMARÉ

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CONSELHO SUPERIOR DA MAGISTRATURA

Apelação Cível nº 1000054-09.2025.8.26.0604

Registro n°: 2026.0000853783

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 1000054-09.2025.8.26.0604, da Comarca de Sumaré, em que é apelante ALEXANDRE AMORIM DE OLIVEIRA, é apelado VILA DOURO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA.

ACORDAM, em sessão permanente e virtual da Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: Negaram provimento ao recurso. V. U., de conformidade com o voto do(a) relator(a), que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores FRANCISCO EDUARDO LOUREIRO (PRESIDENTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA) (Presidente), LUÍS FRANCISCO AGUILAR CORTEZ (VICE PRESIDENTE), DAMIÃO COGAN (DECANO), ROBERTO MAC CRACKEN (PRES. SEÇÃO DE D. PRIVADO), LUCIANA BRESCIANI (PRES. SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO) E ROBERTO SOLIMENE (PRES. SEÇÃO DE DIREITO CRIMINAL).

São Paulo, 2 de setembro de 2026.

SILVIA ROCHA

Corregedora Geral da Justiça e Relatora

Apelação Cível nº 1000054-09.2025.8.26.0604

Apelante: Alexandre Amorim de Oliveira

Apelado: Vila Douro Empreendimento Imobiliário LTDA

Comarca: Sumaré

Voto nº 39.918

Registro de Imóveis – Loteamento – Impugnação ao registro – Alegada caducidade do Certificado de Aprovação do GRAPROHAB – Tese recursal fundada na Resolução SH nº 21/2009, expressamente revogada pela Resolução SH nº 51/2022 – Prazo de validade de quatro anos fixado pelo art. 10 do Decreto Estadual nº 66.960/2022 – Certificado expedido em 26/09/2023 – Documento válido e eficaz ao tempo da prenotação e da sentença – Inexistência de óbice registral – Sentença mantida – Recurso não provido.

Trata-se de apelação interposta por Alexandre Amorim de Oliveira contra sentença prolatada pela MM. Juíza Corregedora Permanente do Registro de Imóveis de Sumaré/SP rejeitando impugnação ao registro do loteamento Residencial Villa Eny, requerido por Vila Douro Empreendimento Imobiliário Ltda. (fls. 674/675).

Em resumo, o impugnante aponta caducidade do certificado GRAPROHAB (nº 314/2023), o que, no seu entender, impede o registro do loteamento. Afirma que o certificado tem validade de dois anos contados da data da expedição. Expedido em 26/09/2023 e não tendo o projeto de loteamento sido aprovado pela prefeitura local no biênio subsequente, sustenta a ilegalidade do registro. Invoca o artigo 17 da Resolução SH 21/2009 (Regimento Interno do GRAPROHAB), que estabelece o prazo bienal. Reputa ilegal o prazo de quatro anos indicado no certificado (fls. 589/591).

Em sua manifestação (fls. 597/601), a loteadora esclareceu que a validade de quatro anos, além de expressamente consignada no certificado GRAPROHAB nº 314/2023 (fls. 534), está embasada na Resolução SH 051/2022, que revogou a Resolução SH 21/2009, e no Decreto Estadual nº 66.960/2022, que estabelece o prazo de quatro anos para certificados de aprovação do referido órgão (art. 10).

Na apelação (fls. 680/682), o impugnante reitera, em suma, os fundamentos fáticos e jurídicos anteriormente articulados, pugnando pela reforma da sentença.

A loteadora, VILA DOURO EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA, apresentou contrarrazões (fls. 689/694).

A Douta Procuradoria Geral de Justiça opinou pelo não provimento do recurso (fls. 702/704).

O feito foi redistribuído a este C. Conselho Superior da Magistratura (fls. 705/706).

É o relatório.

O recurso não comporta provimento.

Alega o recorrente suposta infringência ao artigo 17 da Resolução SH nº 21/2009, da Secretaria de Estado da Habitação de São Paulo, que estabelecia validade de dois anos para o certificado de aprovação emitido pelo GRAPROHAB (Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais).

Ocorre que a Resolução SH nº 21/2009 foi expressamente revogada pelo Resolução SH nº 51/2022 (art. 3º), que aprovou novo Regimento Interno do GRAPROHAB.

Por sua vez, o Decreto Estadual nº 66.960/2022, que reestrutura o GRAPROHAB e dá outras providências, em seu artigo 10 estabelece em quatro anos o novo prazo de validade do certificado de aprovação em tela, a contar da expedição e prorrogável por igual período:

Artigo 9º – O Certificado de Aprovação do Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais – GRAPROHAB será expedido para os projetos habitacionais de parcelamento do solo e de condomínios edilícios que obtiverem, por unanimidade, votos de aprovação expressa de todos os seus membros. […]

Artigo 10 – O Certificado de Aprovação de que trata o artigo 9º deste decreto terá prazo de validade de 4 (quatro) anos, contado da data da respectiva expedição, prorrogável excepcionalmente por igual período, mediante solicitação fundamentada do interessado, desde que inalterados os pressupostos técnicos e fáticos verificados na análise realizada pelo Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais – GRAPROHAB.

[…]

O certificado de aprovação (nº 314/2023 fls. 534) menciona expressamente prazo de validade de quatro anos, em estrita conformidade às normas vigentes. O documento era válido e eficaz ao tempo da expedição, da prenotação e da sentença, não representando óbice ao registro.

Invocando norma revogada, não prospera a frágil tese recursal nuclear.

Tampouco merece acolhida a tese subsidiária, a conjecturar que as obras dificilmente serão iniciadas até setembro de 2027. A alegação tem caráter meramente hipotético e está desprovida de mínimo lastro preditivo, tratando-se de matéria estranha à qualificação registral.

Sendo assim, a impugnação carece de fundamento, impondo-se a manutenção da sentença.

Ante o exposto, e considerando o parecer ministerial convergente, nego provimento à apelação.

SILVIA ROCHA

Corregedora Geral da Justiça e Relatora (TJSP de 08.09.2026 – SP)


Fonte: TJ/SP

Publicação: Portal do RI (Registro de Imóveis) | O Portal das informações notariais, registrais e imobiliárias!

Para acompanhar as notícias do Portal do RI, siga-nos no twitter, curta a nossa página no facebook e/ou assine nosso boletim eletrônico (newsletter), diário e gratuito.