Questão de ordem e reclamação – Fungibilidade – Recebimento como Recurso Administrativo – Procedimento de Controle Administrativo – Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul – Concurso – Serventias extrajudiciais – Fase de títulos – Agentes delegados bacharéis em direito que exerceram a delegação por período superior a três anos – Pontuação – Possibilidade – Não provimento do recurso – 1. A questão impugnada cinge-se ao cômputo de pontos na fase de títulos do concurso público de provas e títulos para a outorga de agentes delegados bacharéis em direito que exerceram a delegação por período superior a três anos, conforme disposto no regulamento do certame – 2. O ato do TJRS de atribuir os pontos previstos no item 7.1., I, da Minuta de Edital do Anexo à Resolução CNJ 81/2009, aos candidatos que, concomitantemente, na data da primeira publicação do edital do concurso, preencheram os requisitos de serem bacharéis em direito e exerceram, por três anos, titularidade de delegação de notas ou registro anterior está em consonância com entendimento adotado por este Conselho à época – 3. Recurso a que se nega provimento.

Autos: PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO – 0004173-33.2019.2.00.0000

Requerente: INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLÍTICOS, ADMINISTRATIVOS E CONSTITUCIONAIS – IBEPAC

Requerido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – TJRS

EMENTA: QUESTÃO DE ORDEM E RECLAMAÇÃO. FUNGIBILIDADE. RECEBIMENTO COMO RECURSO ADMINISTRATIVO. PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. CONCURSO. SERVENTIAS EXTRAJUDICIAIS. FASE DE TÍTULOS. AGENTES DELEGADOS BACHARÉIS EM DIREITO     QUE EXERCERAM A DELEGAÇÃO POR PERÍODO SUPERIOR A TRÊS ANOS. PONTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO.

1.     A questão impugnada cinge-se ao cômputo de pontos na fase de títulos do concurso público de provas e títulos para a outorga de agentes delegados bacharéis em direito que exerceram a delegação por período superior a três anos, conforme disposto no regulamento do certame.

2.     O ato do TJRS de atribuir os pontos previstos no item 7.1., I, da Minuta de Edital do Anexo à Resolução CNJ 81/2009, aos candidatos que, concomitantemente, na data da primeira publicação do edital do concurso, preencheram os requisitos de serem bacharéis em direito e exerceram, por três anos, titularidade de delegação de notas ou registro anterior está em consonância com entendimento adotado por este Conselho à época.

3.     Recurso a que se nega provimento.

ACÓRDÃO 

Dando continuidade ao julgamento iniciado na 69ª Sessão Virtual, o Conselho, por unanimidade, conheceu da questão de ordem e da reclamação como recurso administrativo e, no mérito, negou-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. Ausente, em razão da vacância do cargo, o Corregedor Nacional de Justiça. Presidiu o julgamento o Ministro Dias Toffoli. Plenário Virtual, 9 de setembro de 2020. Votaram os Excelentíssimos Conselheiros Dias Toffoli, Humberto Martins (então Conselheiro), Emmanoel Pereira, Luiz Fernando Tomasi Keppen, Rubens Canuto, Tânia Regina Silva Reckziegel, Mário Guerreiro, Candice L. Galvão Jobim, Flávia Pessoa, Maria Cristiana Ziouva, Ivana Farina Navarrete Pena, Marcos Vinícius Jardim Rodrigues, André Godinho, Maria Tereza Uille Gomes e Henrique Ávila.

RELATÓRIO

Trata-se Questão de Ordem (QO) e Reclamação (Rcl) apresentados pelo INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLÍTICOS, ADMINISTRATIVOS E CONSTITUCIONAIS – IBEPAC, em face da Decisão (Id 3721385) que julgou improcedente o pedido liminar do pedido de reconsideração e determinou o arquivamento dos autos.

A referida Decisão (Id 3721385) foi assim sistematizada:

Trata-se de pedido de reconsideração e, sucessivamente, recurso administrativo formulado pelo INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLÍTICOS, ADMINISTRATIVOS E CONSTITUCIONAIS – IBEPAC em face da decisão monocrática de Id. 3680299 proferida nos autos do Procedimento de Controle Administrativo (PCA) n° 0004173-33.2019.2.00.0000 que julgou improcedente os pedidos do Requerente e determinou o arquivamento dos autos.

Em sua Petição recursal (id. 3680669), o Requerente formula novo pedido liminar, nos seguintes termos:

“Ante  todo  o  exposto,  demonstrado  o  direito  sobre  o  qual  se  funda  este recurso, requer, sucessivamente, caso  não  seja deferida  a  tutela  liminar  de  caráter  antecipatório, roga-se  seja  deferida  liminar  de caráter  cautelar,  determinando que  seja suspenso o certame, até que seja julgado a legalidade e compatibilidade dos atos praticados com as decisões proferidas nos autos da consulta n. 0004268-78.2010.2.00.0000, nos autos da RGD n. 000602483.2014.2.00.0000, nos autos do pedido de providências n. 0010154 -77.2018.2.00.0000, nos PCA n.º 0005579-02.2013.2.00.0000; PCA n. 0006843-54.2013.2.00.0000; PCA n. 0005933-90.2014.2.00.0000 e PCA n. 0000059-51.2019.2.00.0000, sob pena de violarem o que dispõe os arts. 4º, caput e incisos II, III e XXVII, 91, 101, 105 e 106 do RI/CNJ, e art. 50, inciso VII e § 1º, da Lei n. 9.784/99;”

Verifica-se que a decisão recorrida (Id. 3680299) já apreciou pretensão liminar do Requerente de mesmo objeto. Na oportunidade, considerou-se que o feito se encontrava suficientemente instruído para que decisão de mérito pudesse ser proferida e julgou prejudicado o pedido liminar nos seguintes termos (id. 3680299):

“(…) 

É o relatório, decido.

O presente encontra-se apto ao julgamento definitivo, de modo que a análise do pedido liminar fica prejudicada. 

A questão impugnada cinge-se ao ato do Tribunal que reconheceu como atividade privativa de bacharel em direito o exercício de delegação notarial e registral, computando 2,0 (dois) pontos na prova de títulos àqueles como exercício por ao menos três anos até abertura do certame. 

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça, no julgamento do Pedido de Providências (PP) nº 0010154-77.2018.2.00.0000, expediu a seguinte recomendação para todos os Tribunais de Justiça do país: 

CONSIDERANDO que o Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça, em seu art. 3º, VIII e XIV, defere ao Corregedor Nacional a prerrogativa de agir de ofício em relação às determinações referentes ao desempenho da atividade extrajudicial; 

CONSIDERANDO que o art. 8º, XI, do RICNJ admite que o Corregedor Nacional proponha ao Plenário a expedição de recomendação para assegurar a eficiência do Poder Judiciário; 

CONSIDERANDO a necessidade de uniformizar os critérios de pontuação de títulos em concursos de notários e registradores, com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, imprimindo maior racionalidade e eficiência ao Poder Judiciário e prevenindo novos litígios nessa seara. 

CONSIDERANDO o acórdão proferido nos autos do PP 010154-77.2018, 

RECOMENDA a todos os Tribunais de Justiça que, nos concursos para notários e registradores, se abstenham de incluir a atividade notarial e registral no cômputo dos pontos atribuídos ao exercício da atividade jurídica. 

O e. Corregedor Nacional de Justiça aderiu à proposta do Ministro Presidente do CNJ para retificar seu voto no sentido de “quanto ao conteúdo da recomendação e pelo seu encaminhamento a todos os Tribunais do País, para que, cientes de seu conteúdo a ele se adequem, se for o caso (para concursos a serem marcados ou em andamento, cuja fase de avaliação de títulos não tenha se exaurido ou consolidado e que ainda não estejam aplicando o entendimento ora exarado), sem fixar prazo de cumprimento, divergindo, neste ponto, do i. Relator”. 

Em consulta ao sítio eletrônico do TJRS, foi possível verificar que a classificação final e homologação do certame foi disponibilizado no Diário da Justiça Eletrônico em 13 de maio de 2019 por meio do Edital nº 029/2019 – CECPODNR. 

Já o acórdão do PP nº 0010154-77.2018.2.00.0000 foi publicado no dia 27 de maio de 2019, ou seja, data posterior ao fim da prova de títulos. Nesse sentido, como a recomendação deste Conselho foi para que os tribunais adequem, se for o caso, os “concursos a serem marcados ou em andamento, cuja fase de avaliação de títulos não tenha se exaurido ou consolidado e que ainda não estejam aplicando o entendimento ora exarado”, o Tribunal não deverá retificar seu edital, porquanto a fase de títulos está devidamente terminada antes da publicação do acórdão do PP nº 0010154-77.2018.2.00.0000. 

Portanto, não há ilegalidade ou irregularidade que autorize a intervenção deste Conselho. 

Em questões como esta, onde já houve prévia manifestação do Plenário deste Conselho, o pedido pode ser julgado monocraticamente pelo Conselheiro Relator. 

Diante do exposto, com fundamento no artigo 25, X e XII, do Regimento Interno, julgo improcedente os pedidos e determino, em consequência, seu arquivamento. 

Intimem-se. Cópia desta decisão servirá como ofício.” 

Destarte, a renovação do pedido liminar aos mesmos argumentos de pretensão já apreciada não merece provimento, mormente em sede de substituição regimental (RICNJ, art. 24, I).

Eventuais irresignações contra decisões monocráticas desafiam recurso administrativo próprio, a ser julgado pelo Plenário deste Conselho sob relatoria do futuro conselheiro Relator, cujo cargo atualmente se encontra vago.

Nesses fundamentos e com fulcro no art. 24, inciso I do RICNJ, julgo improcedente o pedido liminar formulado no bojo do recurso administrativo (id. 3680669) e determino, em consequência, o arquivamento dos autos.

Ato contínuo, o IBEPAC levanta Questão de Ordem e Reclamação (Id 3727916), considerando que a Decisão que julgou o pedido liminar recursal não deveria ter determinado o arquivamento dos autos, os quais devem ser submetidos ao Plenário por força do art. 2º, inciso I, 3º, e 115, §2º, do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça (RICNJ)[1] para que seja feito o “julgamento de mérito do pedido constante no recurso interposto.”

Nesse sentido, colaciona decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)[2] que entende que o art. 115, §2º do RICNJ determina que, acaso o relator não reconsidere a decisão anteriormente proferida, deve submeter o recurso administrativo ao Plenário sob pena de violação ao devido processo legal.

Por fim, indica a existência de precedente no âmbito do CNJ no sentido das razões recursais e pugna pela remessa dos autos para julgamento presencial no Plenário.

O TJRS presta novas informações (Id 3861464) entendendo que a decisão monocrática já julgou definitivamente o mérito do recurso sob o fundamento de que o Plenário do CNJ já decidiu pela possibilidade de julgamento monocrático de recurso neste Conselho.

Em conclusão, pugna pelo não acolhimento da Questão de Ordem e da Reclamação apresentada pela parte autora e a manutenção da decisão de arquivamento.

É o relatório.

Fundamentação

Cuida-se de Questão de Ordem e Reclamação para reforma de decisão que julgou improcedente o pedido de não valoração do exercício da atividade notarial e registral como atividade privativa de bacharel em direito, observando-se o entendimento proferido nos autos do Pedido de Providências n. 0010154-77.2018.2.00.0000 e nos autos do processo de Consulta n. 0004268-78.2010.2.00.0000.

Em atendimento ao princípio da fungibilidade, recebo a Questão de Ordem e a Reclamação como Recurso Administrativo e passo a analisar o mérito do feito.

Verifica-se que a QO se confunde com o mérito do objeto pleiteado, o qual já foi julgado monocraticamente pelo Relator à época, Conselheiro André Godinho, na data de 28 de junho de 2019, que decidiu pela improcedência do pedido por considerar que a recomendação proferida nos autos do PP n. 0010154-77.2018.2.00.00 não se aplicaria ao caso concreto, em razão do exaurimento da fase de avaliação de títulos do concurso, in verbis:

O presente encontra-se apto ao julgamento definitivo, de modo que a análise do pedido liminar fica prejudicada. 

A questão impugnada cinge-se ao ato do Tribunal que reconheceu como atividade privativa de bacharel em direito o exercício de delegação notarial e registral, computando 2,0 (dois) pontos na prova de títulos àqueles como exercício por ao menos três anos até abertura do certame. 

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça, no julgamento do Pedido de Providências (PP) nº 0010154-77.2018.2.00.0000, expediu a seguinte recomendação para todos os Tribunais de Justiça do país: 

CONSIDERANDO que o Regulamento Geral da Corregedoria Nacional de Justiça, em seu art. 3º, VIII e XIV, defere ao Corregedor Nacional a prerrogativa de agir de ofício em relação às determinações referentes ao desempenho da atividade extrajudicial;

CONSIDERANDO que o art. 8º, XI, do RICNJ admite que o Corregedor Nacional proponha ao Plenário a expedição de recomendação para assegurar a eficiência do Poder Judiciário;

CONSIDERANDO a necessidade de uniformizar os critérios de pontuação de títulos em concursos de notários e registradores, com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, imprimindo maior racionalidade e eficiência ao Poder Judiciário e prevenindo novos litígios nessa seara.

CONSIDERANDO o acórdão proferido nos autos do PP 010154-77.2018,

RECOMENDA a todos os Tribunais de Justiça que, nos concursos para notários e registradores, se abstenham de incluir a atividade notarial e registral no cômputo dos pontos atribuídos ao exercício da atividade jurídica. 

O e. Corregedor Nacional de Justiça aderiu à proposta do Ministro Presidente do CNJ para retificar seu voto no sentido de “quanto ao conteúdo da recomendação e pelo seu encaminhamento a todos os Tribunais do País, para que, cientes de seu conteúdo a ele se adequem, se for o caso (para concursos a serem marcados ou em andamento, cuja fase de avaliação de títulos não tenha se exaurido ou consolidado e que ainda não estejam aplicando o entendimento ora exarado), sem fixar prazo de cumprimento, divergindo, neste ponto, do i. Relator”.

Em consulta ao sítio eletrônico do TJRS, foi possível verificar que a classificação final e homologação do certame foi disponibilizado no Diário da Justiça Eletrônico em 13 de maio de 2019 por meio do Edital nº 029/2019 – CECPODNR.

Já o acórdão do PP nº 0010154-77.2018.2.00.0000 foi publicado no dia 27 de maio de 2019, ou seja, data posterior ao fim da prova de títulos. Nesse sentido, como a recomendação deste Conselho foi para que os tribunais adequem, se for o caso, os “concursos a serem marcados ou em andamento, cuja fase de avaliação de títulos não tenha se exaurido ou consolidado e que ainda não estejam aplicando o entendimento ora exarado”, o Tribunal não deverá retificar seu edital, porquanto a fase de títulos está devidamente terminada antes da publicação do acórdão do PP nº 0010154-77.2018.2.00.0000.

Portanto, não há ilegalidade ou irregularidade que autorize a intervenção deste Conselho.

Em questões como esta, onde já houve prévia manifestação do Plenário deste Conselho, o pedido pode ser julgado monocraticamente pelo Conselheiro Relator.

Diante do exposto, com fundamento no artigo 25, X e XII, do Regimento Interno, julgo improcedente os pedidos e determino, em consequência, seu arquivamento.

Intimem-se. Cópia desta decisão servirá como ofício.”

Destarte, a renovação do pedido liminar aos mesmos argumentos de pretensão já apreciada não merece provimento, mormente em sede de substituição regimental (RICNJ, art. 24, I).

Eventuais irresignações contra decisões monocráticas desafiam recurso administrativo próprio, a ser julgado pelo Plenário deste Conselho sob relatoria do futuro conselheiro Relator, cujo cargo atualmente se encontra vago.

Nesses fundamentos e com fulcro no art. 24, inciso I do RICNJ, julgo improcedente o pedido liminar formulado no bojo do recurso administrativo (id. 3680669) e determino, em consequência, o arquivamento dos autos.

Dessa forma, considerando que a fase de títulos do concurso do TJRS já havia se encerrado, quando da recomendação mencionada pelo requerente, esta não deve se aplicar ao caso em epígrafe, de modo que a decisão monocrática guerreada deve ser mantida.

Dispositivo

Diante do exposto, conheço da Questão de Ordem e da Reclamação como Recurso Administrativo e, no mérito, nego-lhe provimento, nos termos do art. 115, do RICNJ.

É como voto.

Após as comunicações de praxe, arquive-se.

Conselheiro Marcos Vinícius Jardim Rodrigues

Relator

Notas:

[1] Art. 2º Integram o CNJ:

I – o Plenário;

[…]

Art. 3º O Plenário do CNJ, seu órgão máximo, é constituído por todos os Conselheiros empossados e se reúne validamente com a presença de no mínimo dez (10) de seus integrantes.

[…]

Art. 115. A autoridade judiciária ou o interessado que se considerar prejudicado por decisão do Presidente, do Corregedor Nacional de Justiça ou do Relator poderá, no prazo de cinco (5) dias, contados da sua intimação, interpor recurso administrativo ao Plenário do CNJ.

§ 2º O recurso será apresentado, por petição fundamentada, ao prolator da decisão atacada, que poderá reconsiderá-la no prazo de cinco (5) dias ou submetê-la à apreciação do Plenário na primeira sessão seguinte à data de seu requerimento.

[2] (STF – AG. REG. EM MANDADO DE SEGURANÇA 35.163 RJ, Relator Min. Roberto Barroso, Data de Julgamento: 28/05/2018, T1 – PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 19/06/2018) – – /

Dados do processo:

CNJ – Procedimento de Controle Administrativo nº 0004173-33.2019.2.00.0000 – Rio Grande do Sul – Rel. Cons. Marcos Vinícius Jardim Rodrigues – DJ 15.09.2020

Fonte: INR Publicações

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Tribunal regulamenta Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais no PJ paulista

Ato atende ao disposto na LGPD.

 O Diário da Justiça Eletrônico de hoje (24) traz a Portaria 9.918/20, assinada pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Geraldo Francisco Pinheiro Franco, com o detalhamento da Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais no Poder Judiciário do Estado de São Paulo (PPPDP), em cumprimento ao disposto na Lei 13.709/18 – Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD); à Recomendação CNJ 73/20; à Lei 12.965/14 – Marco Civil da Internet; ao Decreto 8.771/16; à Lei 12.527/11 – Lei de Acesso à Informação; à Resolução CNJ 121/10 e à Resolução CNJ 215/15.

A PPPDP – administrada pelo Comitê Gestor de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais (CGPPDP), instituído pela Portaria TJSP nº 9912/20 – regula a proteção de dados pessoais nas atividades jurisdicionais do TJSP e nas suas atividades administrativas. As disposições regulam o relacionamento do Tribunal com os usuários de seus serviços e com os magistrados, servidores, fornecedores e quaisquer terceiros, e se referem a dados pessoais contidos em qualquer suporte físico, seja eletrônico ou não.

Com o objetivo de definir e divulgar as regras de tratamento de dados pessoais pelo TJSP, em consonância com a legislação aplicável e com os regulamentos e orientações do CNJ, do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e de demais autoridades competentes, a nova política também traça diretrizes para o CGPPDP.

A aplicação da PPPDP será pautada pelo dever de boa-fé e pela observância dos princípios previstos no art. 6º da LGPD – finalidade, adequação, necessidade, livre acesso, qualidade dos dados, transparência, segurança, prevenção, não discriminação e responsabilização e prestação de contas. No caso de informações relativas a crianças ou adolescentes o tratamento de dados pessoais sensíveis terá linguagem clara e simples, com concisão, transparência, inteligibilidade e acessibilidade, na forma da lei e de acordo com as regras do regime de tramitação sob segredo de Justiça.

A Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais deve ser revista em intervalos planejados não superiores a 12 meses, a partir da data de sua publicação, ou ante a ocorrência de algumas das seguintes condições: I. Edição ou alteração de leis e/ou regulamentos relevantes; II. Alteração de diretrizes estratégicas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo; III. Expiração da data de validade do documento, se aplicável; IV. Mudanças significativas de tecnologia na organização do Tribunal de Justiça de São Paulo, como por exemplo a definição de armazenamento em data center localizado no exterior; V. Análises de risco em Relatório de Impacto de Proteção de Dados Pessoais que indique a necessidade de modificação no documento para readequação da organização visando a prevenir ou mitigar riscos relevantes.

Conheça a Portaria 9.918/20.  O órgão Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais do Poder Judiciário do Estado de São Paulo atende pelo endereço eletrônico encarregado_lgpd@tjsp.jus.br.

Fonte: Tribunal de Justiça de São Paulo

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Nova lei altera recolhimento do ISS para município onde serviço é prestado

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, sem vetos, a Lei Complementar 175, que estabelece regras para o recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) pelo município onde está o cliente (destino), e não mais na cidade-sede do prestador do serviço (origem) . A legislação foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (24).

Originário do Projeto de Lei Complementar (PLP) 170/2020, o texto regula o recolhimento do ISS pelo município do consumidor, e não da empresa que presta o serviço. A mudança será gradativa, até 2023, para que cumpra o determinado em legislação de 2016.

Os serviços que terão a arrecadação transferida para o destino são os de planos de saúde e médico-veterinários; de administração de fundos, consórcios, cartões de crédito e débito, carteiras de clientes e cheques pré-datados; e de arrendamento mercantil (leasing).

A necessidade de aprovação de projeto que regulamenta o recolhimento de ISS decorre de mudanças feitas pela Lei Complementar 157, de 2016, que transferiu a competência da cobrança desse imposto do município onde fica o prestador do serviço para o município onde o serviço é prestado ao usuário final. Até dezembro de 2016, o ISS ficava com o município de origem — onde está localizado o fornecedor do bem ou serviço.

Gestão do ISS

A lei cria o Comitê Gestor das Obrigações Acessórias do Imposto sobre Serviços (CGOA), com o objetivo de elaborar regras unificadas para a arrecadação, obrigatórias para todos os municípios e Distrito Federal.

O CGOA será composto por dez membros, dois de cada região: um representante das capitais do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul e outro das cidades do interior de cada região. Os representantes das capitais serão escolhidos pela Frente Nacional de Prefeitos; e os das cidades interioranas deverão ser indicados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Também será criado um Grupo Técnico do Comitê Gestor das Obrigações Acessórias do ISS para auxiliar o comitê, composto por quatro membros, dois indicados por representantes dos municípios e os outros dois pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, representando os contribuintes.

Padronização

Pela proposta, o ISS será declarado por meio de sistema eletrônico unificado para todo o país até o 25º dia do mês seguinte à prestação do serviço. Esse sistema deverá ser desenvolvido pelos contribuintes, individualmente ou em colaboração, obedecendo leiautes e padrões fixados pelo CGOA. Em caso de desenvolvimento conjunto, cada empresa deve ter acesso apenas aos seus dados.

Os contribuintes terão ainda que dar acesso mensal ao sistema a todos os municípios e ao Distrito Federal, cada um visualizando exclusivamente os dados de sua competência. Já o pagamento do ISS deverá ser feito até o 15º dia do mês seguinte ao da prestação do serviço.

Aos municípios, por sua vez, caberá divulgar diretamente no sistema as alíquotas, a legislação para o ISS e os dados da conta para recolhimento do tributo. Se houver alteração, as novas regras só valerão no mês seguinte ou, no caso de mudança da alíquota, no ano seguinte, como determina a Constituição. O PLP 170 proíbe os municípios de cobrarem taxas para inscrição em cadastros do ISS ou de exigirem qualquer obrigação extra relativa ao imposto. É permitido, no entanto, requerer a emissão de notas fiscais.

O comitê não poderá fazer mudanças nas regras do sistema nos primeiros três anos após sua disponibilização e, depois disso, qualquer alteração deverá ser comunicada com no mínimo um ano de antecedência.

Transição

A proposta segue entendimento do STF definindo regras de transição que deem segurança jurídica aos municípios e permitam às prefeituras que perderão receita o ajuste gradual do caixa.

Em 2021, 33,5% do tributo serão arrecadados na origem e 66,5% no destino. Em 2022, ficarão 15% na origem e 85% no destino. A partir de 2023, 100% do ISS ficará com o município onde está o usuário do serviço.

“A ideia é a redução progressiva, ano a ano, do valor atribuído ao município do local do estabelecimento prestador do serviço, que antes era o sujeito ativo do tributo, a fim de que possa se adaptar à perda”, explicou a relatora da proposta no Senado, Rose de Freitas (Podemos-ES).

Arrendamento mercantil

Na Câmara, os deputados deixaram de fora da mudança os serviços de agenciamento, corretagem ou intermediação de contratos de leasing, de franquia e de compra de créditos (factoring), que continuarão a ser arrecadados pelo município onde essas empresas têm sede.

A decisão atendeu a pedido da CNM, tendo em vista que esses serviços são geralmente prestados por pessoas físicas. Entretanto, o serviço de arrendamento mercantil propriamente dito fica sujeito à nova regra de competência da cobrança.

Tomador e prestador

No caso dos planos de saúde ou de medicina, a proposta considera usuário do serviço a pessoa física vinculada à operadora por meio de convênio ou contrato. Mesmo quando houver dependentes, será considerado apenas o domicílio do titular do contrato para fins de arrecadação.

Em relação à administração de cartão de crédito ou débito, o tomador do serviço é o primeiro titular do cartão. Caberá à cidade em que o gasto for realizado ficar com o ISS correspondente. São considerados administradores as bandeiras, credenciadoras e emissoras dos cartões de crédito e débito.

O cotista será considerado o tomador do serviço de administração de carteira de valores mobiliários ou de gestão de fundos e clubes de investimento. No caso de administradoras de consórcios, o cliente do serviço é o consorciado.

Quanto ao leasing, o tomador do serviço é o arrendatário domiciliado no país. No caso do arrendatário no exterior, o tomador é o beneficiário do serviço no país.

Em todas as transações envolvendo pessoas jurídicas, será considerada tomadora aquela unidade favorecida pelo serviço, independentemente da denominação (filial, sucursal etc).

O início da vigência da nova lei será em 1º de janeiro de 2021.

Tramitação

O projeto teve origem no Senado (PLS 445/2017– Complementar, do ex-senador Cidinho Santos), foi modificado pelos deputados (PLP 461/2017), e por isso retornou para análise dos senadores (PLP 170/2020). A relatora, senadora Rose de Freitas, por sua vez, reinseriu grande parte do projeto original na proposta vinda da Câmara. O texto foi aprovado em agosto no Senado.

Fonte:  Agência Senado

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